terça-feira, 21 de dezembro de 2010
holofotes
Pessoas - elementos interessantes da vida, elas me fascinam. Algumas vezes por serem extremamente óbvias, previsíveis, e mesmo assim não entendíveis. Já outras exatamente pelo contrário, por não fazerem sentido algum, por andarem soltas pelo espaço e tempo, por me confundirem - e isso eu consigo entender. Pessoas enganam, fazem um jogo de luz e sombra como num balé. De quantas maneiras diferentes uma mesma pessoa existe? Uma para cada outra pessoa, no mínimo. Todos bailarinos dividindo um mesmo palco, porque, se a existencia é múltipla, a vida é uma só - o mesmo palco, a mesma variação nas luzes, o mesmo gigantesco cenário e o mesmo figurino, porém diferentes lugares na platéia e variadas pautas. Cada movimento desta dança gera sombras em diferentes direções e de aspectos completamente desiguais para cada um que a acompanha. Dezenas de bailarinos movendo-se incertamente sobre o palco sem uma coreografia - confusão, esbarrões e quedas, desse jeito desengonçado o espetáculo se forma, mas quando o vemos como um todo percebemos o mais gracioso e bem coreografado balé.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Respirar
Entrar, sair, entrar, sair, entrar, sair - é o movimento natural, a lei da vida biopisicosimbolicamente falando.
Presisamos deixar que entre tudo que tem fora o que presta o que não presta simplesmente colocamos pra dentro como em um profundo e continuo suspiro e as coisa vão se acumulando enchendo seu peito sua mente estufando são pessoas sentimentos idéias novidades sonhos inspirações e fica tudo ali comprimido em um pequeno espaço e as coisas continuam entrando CHEGA.
Soltamos, as coisas se vão - ar, pessoas, idéias. Temos espaço, fluidez, leveza.
Ai começamos a sentir um vazio e involuntariamente as coisas começas a nos encher sem controle sem nem pensarmos as coisas vão entrando novamente nos estufando até mesmo aquelas que juramos jamais rever estão ali ocupando um espaço imenso a e tudo fica apertado demais agoniante demais e mais coisas continuam a adentrar até que é impossível segurar CHEGA.
Expiramos, novamente um turbilhão sai de nós e a paz reina, é vazio. Mas é um vazio tão cheio de vida, tão expressivo, confortável.
Bom, logo precisamos deixar o ar entrar novamente, se não morreríamos, e tão logo precisamos renová-lo, e o ciclo só termina quando tudo também acaba. Assim também é com todo o resto que precisamos deixar que entre para que em algum momento soltemos em quentes baforadas. É assim porque estamos vivos, porque estufam e esvaziam, porque intercalam estas situações, o corpo, a mente, a vida. Por mais que tentemos não conseguimos segurar o ar no peito nem impedi-lo de entrar, é o movimento natural.
Presisamos deixar que entre tudo que tem fora o que presta o que não presta simplesmente colocamos pra dentro como em um profundo e continuo suspiro e as coisa vão se acumulando enchendo seu peito sua mente estufando são pessoas sentimentos idéias novidades sonhos inspirações e fica tudo ali comprimido em um pequeno espaço e as coisas continuam entrando CHEGA.
Soltamos, as coisas se vão - ar, pessoas, idéias. Temos espaço, fluidez, leveza.
Ai começamos a sentir um vazio e involuntariamente as coisas começas a nos encher sem controle sem nem pensarmos as coisas vão entrando novamente nos estufando até mesmo aquelas que juramos jamais rever estão ali ocupando um espaço imenso a e tudo fica apertado demais agoniante demais e mais coisas continuam a adentrar até que é impossível segurar CHEGA.
Expiramos, novamente um turbilhão sai de nós e a paz reina, é vazio. Mas é um vazio tão cheio de vida, tão expressivo, confortável.
Bom, logo precisamos deixar o ar entrar novamente, se não morreríamos, e tão logo precisamos renová-lo, e o ciclo só termina quando tudo também acaba. Assim também é com todo o resto que precisamos deixar que entre para que em algum momento soltemos em quentes baforadas. É assim porque estamos vivos, porque estufam e esvaziam, porque intercalam estas situações, o corpo, a mente, a vida. Por mais que tentemos não conseguimos segurar o ar no peito nem impedi-lo de entrar, é o movimento natural.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Oscilações abruptas
Essa coisa de equilíbrio é para poucos e bons. Até queria, mas não me incluiram nesta porção, na verdade me deixaram é bem longe dela. Aquela inconstante, de altos e baixos, de sonhadores incorrigíveis, dos que se atiram de cabeça, nesta que achei meu lugar. Pra gente, tem que ter drama pra valer a pena, tem que ter intensidade, a vida tem que ter contraste máximo. De tanto voar e cair já não sei mais onde é chão, já não sei mais onde é céu, já não tenho noção de altura - aquele abismo parece meio-fio e vice versa - noção te tempo então? Inútil. O que vale não são os segundos, são os suspiros. Licença, preciso gritar, preciso rir, preciso chorar, preciso cair e levantar, preciso fazer e voar, preciso viver antes de morrer.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Espetáculo em curta temporada
porém fotos, embora belas, são meros esboços do real sentimento que há por detrás delas. maneiras que temos de voltar por breves instantes no tempo.
O tempo por certas vezes parece andar em círculos, dado que em determinados momentos acreditamos que as coisas voltam a ser como eram antes, parece que alguém pegou uma imagem antiga e recolocou tudo no no mesmo lugar, e assim sucessivamente, fazendo com que toda parte de nossa vida pareça uma cena de uma peça que já assistimos anos, as vezes muitos anos, atrás. Mas é impossível que o tempo ande em círculos, pois nesta mesma cena repetida, com um quê a mais de atenção notamos que alguns detalhes mudam assombrsamente - talvez um ator, talvez um figurino, um cenário, uma vírgula em uma fala que faz toda a diferença - qualquer detalhe que seja mostra que este desconhecido que decidiu rearrumar as coisas como eram pecou, talvez propositalmente. Enfim, tudo igual denovo é só uma ilusão, e nós, inocentes que somos, caímos nessa armadilha, acreditamos que poderemos fazer diferente 'desta vez' - oras, 'desta vez', é uma outra vez, completamente diferente daquela que queríamos reviver, então o que quer que se faça será diferente por mais que sigamos as linhas impecavelmente iguais. Neste passo que seguimos não existe marcha ré.
O tempo por certas vezes parece andar em círculos, dado que em determinados momentos acreditamos que as coisas voltam a ser como eram antes, parece que alguém pegou uma imagem antiga e recolocou tudo no no mesmo lugar, e assim sucessivamente, fazendo com que toda parte de nossa vida pareça uma cena de uma peça que já assistimos anos, as vezes muitos anos, atrás. Mas é impossível que o tempo ande em círculos, pois nesta mesma cena repetida, com um quê a mais de atenção notamos que alguns detalhes mudam assombrsamente - talvez um ator, talvez um figurino, um cenário, uma vírgula em uma fala que faz toda a diferença - qualquer detalhe que seja mostra que este desconhecido que decidiu rearrumar as coisas como eram pecou, talvez propositalmente. Enfim, tudo igual denovo é só uma ilusão, e nós, inocentes que somos, caímos nessa armadilha, acreditamos que poderemos fazer diferente 'desta vez' - oras, 'desta vez', é uma outra vez, completamente diferente daquela que queríamos reviver, então o que quer que se faça será diferente por mais que sigamos as linhas impecavelmente iguais. Neste passo que seguimos não existe marcha ré.
chuá.
Antes que caísse a última gota voce fechou aquela torneira que pingava, agora estamos assim, no limiar, naquele momento de maior tensão, e o caminho é um só: uma hora tudo vai se esparramar, a água vai despencar, a enxurrada vai limpar. Mas enquanto isso não acontece vivemos naqueles instantes que antecedem a tragédia, que a anunciam, mas não saõ suficientes para evitá-la. A única coisa que se pode fazer é adiá-la, e enquanto isso, prepararmo-nos para quando acontecer. Esperando que isso ocorra o mais tarde possível mal respiramos, a menor perturbação pode acerretar em destruição.
Foi assim: eu dei o primeiro passo e afundou, aí eu continuei, meio que por instinto suicida. Aquela vontade de saber no que daria, mas a torneira já estava lá, enchendo, avisando que um dia iria explodir - e de que adiantava? Como se ligássemos. Mas se tivéssemos virado o balde antes, claro que a catástrofe seria inúmeras vezes menor, mas menores seriam também os momentos, os devaneios, as confissões - menores seriam as vidas. E vejam, mesmo que não acredite, há chance de quando deixarmos cair a última gota, a água jorre, lave, e ainda assim, no fundo do balde, permaneca uma fina lâmina d'agua, limpa. E quer saber o que faremos? Abriremos a torneira novamente, dessa vez com maior potência, pare que a água jamais pare dentro do balde, ou então, jogamos o balde fora, e deixe que a água corra por todos os lados, ou então... ora quem pode saber?
Foi assim: eu dei o primeiro passo e afundou, aí eu continuei, meio que por instinto suicida. Aquela vontade de saber no que daria, mas a torneira já estava lá, enchendo, avisando que um dia iria explodir - e de que adiantava? Como se ligássemos. Mas se tivéssemos virado o balde antes, claro que a catástrofe seria inúmeras vezes menor, mas menores seriam também os momentos, os devaneios, as confissões - menores seriam as vidas. E vejam, mesmo que não acredite, há chance de quando deixarmos cair a última gota, a água jorre, lave, e ainda assim, no fundo do balde, permaneca uma fina lâmina d'agua, limpa. E quer saber o que faremos? Abriremos a torneira novamente, dessa vez com maior potência, pare que a água jamais pare dentro do balde, ou então, jogamos o balde fora, e deixe que a água corra por todos os lados, ou então... ora quem pode saber?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Pequeno grande ser de areia
De tanto me deparar com os opostos convivendo, não tão harmoniosamente, em minha psique reneguei qualquer última intenção de entendê-los, mas não pude deixar de pontuá-los. Entre tantos existentes, considero o 'pai-de-todos' o paradoxo de sentir-me grandiosa e ínfima. Certas vezes me sinto tão dona de mim que decido todos os rumos e dobro, dou nó, no famigerado destino, mas se fecho os olhos me sinto tão incapaz de dominar-me que até mexer meus próprios músculos torna-se difícil demais, então entrego-me ao 'deus dará'. Quando ando pelas ruas, esbarrando nas pessoas, sinto-me tão grande que seria capaz de tropeçar em um arranha-céu como quem tropeça em uma pedra solta do petit-pave, quando sento nas velhas cadeiras de madeira em posse de um café preto queimando a ponta da lingua e em companhia de um velho amigo conversamos por horas, e é como se o mundo fosse obrigado a parar para nos ouvir, e assim permanecesse, atento, e ai dele se resolvesse voltar a girar antes que saíssemos de nossos tronos. Mas derrepente, quando sento ali sob as estrelas em frente ao mar e longe olho, toda a insignificancia digna de minha existência recai sobre mim, e assim me sinto tão pequena que me misturo as grãos de areia, e me perco. Ali também, diante de alguém que se tem tanto para falar, me sinto tão insignificante que até o som dos nossos passos parece causar mais efeito que a minha presença, e revelo-me tão, mas tão pequenina que fico atônita, reduzo-me a dizer que está tudo bem. Espero que esteja.
sábado, 6 de novembro de 2010
Ela mordeu a maçã
De onde vem esse dom de escolher errado? Não falha, nunca. Desde questões de multipla escolha até pessoas, passando por caminhos, momentos, palavras. É, talvez alguém tenha me dito: "vá ser gauche na vida". O mais incrível é que algumas vezes, muitas delas, eu sei que estou escolhendo o errado, mas tamanha é a sede, a necessidade extrema de excolhê-lo, que supera a racionalidade. Alguns chamam de inconsequencia, algumas vezes a é, porém quase sempre tenho consciência dos estragos que o passo me causará, apenas não me controlo e corro pro abismo. Até porque as coisas que faço sem pensar, as que não são escolhas, raramente são as piores, as tortices vem das decisões pensadas, cauculadas. Não entendo, tenho gosto pelo que não presta, pelo que pode dar errado, e não me sinto mal por isso. Causo mau aos outros, causo mau a mim fazendo escolhas pecaminosas, mas juro que não é por desejo, foi o dom concedido a mim - ou carma, como queiram chamar. Sinto uma incrível atração pelo lado torto - acho lindo, a perfeição parece tão perfeita - o pleonasmo é o único modo de demontrar quão feia é a indefectibilidade. Depois que provamos o errado todo o certo torna-se apagado, não é rebeldia, é instinto. É instinto porque mesmo querendo mais que tudo escolher o que é certo ele desperta e me guia ao oposto, dentre todas as palavras que cogito digo as que não podia, de todos os momentos acerto o mais inoportuno, entre milhares de caminhos trilho os que não me levam a nada - nada bom pelo menos - e, principalmente, quanto as pessoas, gosto das piores: a melhor parte de possuir o dom de escolher errado, sinceramente. Pois veja, a esta altura não sei se me acostumaria à escolhas virtuosas, melhor, pois, seguir assim, aos tropeços, pelos becos.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
de si, para si
Sim, sentia saudades, mas sentia mais saudades ainda daquela que deixou de ser, há tempos não se reconhecia mais. Olhando as estrelas pela janela zangou-se por descobrir que não queria aquilo, ela deveria querer, deveria estar feliz, mas algo ali dentro impedia - era uma angústia, um medo de seguir depois de ter rompido com seu ego. A medida que via tudo aquilo que julagava ser tudo se afastando ela começava a ver-se inteira novamante, aquela garota, a que não via há anos estava voltando, meio timida ainda, e ela a abraçava forte, como fazemos em reencontros tão desejados com entes queridos que não vemos há muito. Agora ela já sentia uma certa felicidade de ver tudo quebrando-se, desistira até de fazer-se perguntas. Ora, claro que sentia falta ainda, mas ao reencontrar-se com si mesma, e ao perceber que para te-la deveria largar mão daquilo, percebera que a falta que sentia dela sempre foi muito maior que a falta que sentirá de tudo, e insuperável, ao contrário desta. Não é que não doa, mas não há escolha, melhor seria se pudessem segiur todos juntos, mas para ter um, precisa renegar o outro, e ela fez sua escolha. Afinal, sentir saudades de si mesmo dói mais que senti-lá por qualquer outro alguém.
domingo, 24 de outubro de 2010
Dentro de mim o céu é azul
Amassava a grama verde, ainda úmida, com meus pés descalços, podia senti-lá ainda gelada enquanto caminhava sob o sol das primeira horas do dia. Aquela imensidão verde era serena - quase monótona, se não fosse por uma única árvore fincada. Um céu que aos poucos passou de um tom quase violeta para um azul plácido, que agora brilhava imponete, quase competia com os raios do próprio sol. Bastava.
Havia um certo ardor, um calor, proveniente de mim. Não vinha dos outros, não dependia de alguém, só do ato do meu viver. Eu gerava vida, eu me fazia aquecer. Assim então sentia paz, uma serenidade. Somente neste estado é que poderia pensar em colocar algo mais no cenário sem desequilibrar-me, aí sim eu poderia aquecer-me em outro.
Agora estou assim, como a grama, que para quebrar a monotonia, colocou aquela árvore ali, mas sem correr riscos de com isso estragar sua harmonia.
Havia um certo ardor, um calor, proveniente de mim. Não vinha dos outros, não dependia de alguém, só do ato do meu viver. Eu gerava vida, eu me fazia aquecer. Assim então sentia paz, uma serenidade. Somente neste estado é que poderia pensar em colocar algo mais no cenário sem desequilibrar-me, aí sim eu poderia aquecer-me em outro.
Agora estou assim, como a grama, que para quebrar a monotonia, colocou aquela árvore ali, mas sem correr riscos de com isso estragar sua harmonia.
sábado, 23 de outubro de 2010
Um texto medíocre.
Sem nobres ideais, sem a menor intensão de mudar o mundo, sem chance alguma de causar grandes reflexões. Nenhuma construção invejável, nem ao menos um léxico complexo, um texto vazio - em todos os âmbitos. De tão medíocre um texto que foi começado pelo título, justamente por não haver nada de novo - na realidade, nada de nada. Um texto inútil, absolutamente insípido, uma enorme perda de tempo. Nem uma história ele conta, nem um amor, ou desamor - é porque amores nunca são medíocres (pelo menos não enquanto vivemo-los) então não caberiam aqui. Desnecessário, completamente desnecessário. Percebe a circularidade? Mas é óbvio, nem se tem sobre o que desenvolver.
Se um texto medíocre feito em um paragráfo ja lhe cansa, imagine uma vida inteira sensabor.
Se um texto medíocre feito em um paragráfo ja lhe cansa, imagine uma vida inteira sensabor.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Par(t)ir
Palavras inexpressivas são meras baforadas de ar traçando o caminho pulmão - garganta - boca - morte. Ideias que perduram são bem mais que movimentos combinados entre língua, boca e pregas vocais, são árduo esforço intelectual. Para surtir efeito as palavras são primeiramente fecundadas no subconsciente, então passam por uma problemática gestação cerebral - é uma gravidez de risco. Tão complicada que poucos fetos completam-na, a maior parte deles sofre aborto espontâneo e nascem prematuramente - certas vezes deformados - poucos, fortes, sobrevivem, os outros não vingam e se vão. As ideias que conseguem completar a gestação acabam bem formadas, mas ainda lhes resta um último desafio: o parto. No momento de pôr os filhos no mundo nada deve atrapalhar, qualquer desvio de atenção pode fazer todo o esforço anterior ir por água abaixo - "dá branco". Atingida toda a concentração necessária, é hora do maior esforço, do suor, das dores do parto. Começam as contracções, a garganta coça, o ar já está dentro dos pulmões, só precisa aparecer a coragem - que não pode demorar muito, pois se o trabalho de parto elongar-se por demais, o rebento morre asfixiado, e tudo que se torna audível ao mundo é um longo suspiro, carregado de emoções, mas com traços pouco perceptíveis de expressividade. Fôlego tomado, a garganta ardendo, coragem, e, enfim, ele vai ao mundo - momento de êxtase, o primeiro contato, um momento de orgulho. Um momento pouco duradouro, as idéias, ao darem seu primeiro suspiro, tomam consciencia da sua existência, que agora independe da do genitor, e decidem tomar rumos próprios. Elas já nascem com asas, e após alguns tombos aprendem a voar -não há nada mais que se possa fazer - logo já estão longe, e não são mais suas.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Movimento Migratório
Voe mais alto, mais longe, cruze os limites. Acenda a luz e saia do escuro. Parar não melhora nada, não faz voltar, não conserta. Quando dizem pra aprender com seus erros não significa que deve prender-se a eles, nem ao dos outros. Erros e mágoas não são inimigos, não são coisas que devam ser apagadas - até porque nem tem como - mas devem ser adormecidos, tornados inertes, e, gradualmente, devolvidos à convivência. As coisas mudam de forma, de tamanho, de valor, todas elas mudam - inclusive o que não queríamos que mudasse- e, as vezes, somos forçados a mudá-las, porque elas já mudaram pra alguém. Impedir a mudança é algo que foge ao nosso controle, mas somos máquinas preparadas para metamorfose, a qualquer instante que desejarmos podemos fazê-la com maestria. Agora, quando tudo parecer muito difícil, voe mais alto, mais longe.
domingo, 3 de outubro de 2010
Gélido, escuro, livre.
Uma noite escura e gelada batia contra a janela, dentro de casa estava quente. Aconchego porém que não a agradava, não a fazia sentir-se. Aquelas calçadas sinuosas, o vento gélido cortantando o peito, a fina garoa, linda quando vista contra a luz fraca dos postes, indo de encontro a seu rosto, a solidão das ruas mal iluminadas que lhe permitia andar de olhos cerrados - isso tudo a fazia sentir-se viva. A noite na cidade adormecida a deixa respirar fundo, encher os pulmões de ar úmido e frio e expirar junto seus pensamentos. É quando todos se escondem (da chuva, do frio, das ruas escuras) que ela pode mostrar-se e, enfim, sentir-se. Fatídica cina dos esquisitos, esconder-se nas sombras. Mas a normalidade é algo estranho, e assustador, até onde eu sei - o que não é muito. Parece insano ser normal e agradar a todos, até um tanto desumano. Eu não sei, mas acho que todos se perguntam se todos realmente são tão normais quanto parecem. Porque sinceramente, parece impossivel fazer tudo tão normalmente, e então todos fingem, e quando podem soltam-se - ou não. Ela soltava-se assim: sozinha, gelada, no escuro. Mas é linda a penumbra na cidade, o jeito que a pouca luz incide sobre as pedras tortas da calçada, as formas que as sombras alongadas formam, o brilho do asfalto molhado, tirando alguns ratos que cruzam o caminho, tudo tem um certo ar de glamour. Ela brinca com a fumaça de seu cigarro, que hora se vê, hora não, como tantas outras coisas em um esconde-esconde. Quando as luzes das casas se apagam e a correria do dia cessa a cidade respira, como ela - tomam folego para a próxima maratona de normalidades formais. Quando ouve o primeiro canto dos passarinhos a cidade começa a despertar, adquirir suas cores naturais - sinal que acabou. Cantos que soam a ela como sirenes na prisão, avisando que acabou o tempo livre, que é hora de voltar à cela, hora de deixar de ser humana, deixar de sentir, parecer quase normal - ou só um pouco estranha - qualquer coisa que não assuste as pessoas, mas que a façam manter alguma distância. Voltando para casa seu rosto aproveita os ultimos instantes daquele sereno gelando-o, seus pés sentem contra eles as últimas pedras tortas e escorregadias e do cérebro saem os últimos pensamentos velhos. Pronto, agora entra em casa e pode sentar, tomar um café, um banho quente, escrever algo, ou desenhar - está leve, sente-se. A única coisa que preocupa-a é quando será aproxima noite gelada e assustadora, até lá não sentirá, sabe que vai crescer dentro dela a dúvida de realmente ser viva, de realmente ser humana, de realmente existir - só poderia mesmo, vivendo em uma camisa de força, trancafiada em um hospício de pessoas sãs.
domingo, 26 de setembro de 2010
respingos, sujeira, história
Olhei pra trás e vi, uma história? Quem diria que eu teria uma história? Não é nada demais, nada espetacular, porém é melhor que muitas que já li. Minha história é escrita por uma criança. Ela enfia suas mãos - de dedos gordos nojentos com unhas compridas e sujas que insiste em enfiar dentro do nariz para cutucar até quase alcançar seu cérebro - dentro de um bade cheio de tinta e suja paredes antes tão brancas, suja sem escrúpulos, sem pensar em nada, suja por onde ja havia pintado, mistura as cores. Mas a sua alegria é tirar das paredes o seu branco monumental, adora pintar onde as paredes eram intocadas. Ah criança, faz uma verdadeira lambança, joga tinta pra todos os lados, bagunça tudo, às vezes acerta até o trabalho daquelas crianças comportadas que pintam suas paredes de maneira correta com pincéis e tudo mais, coisa que ela não consegue fazer. Joga suas tintas com a inocencia que só uma criança pode ter; a inocência, não ha nada mais malicioso que isso, a mazela mais manipuladora da raça humana, bem típica de uma criança mal criada e sujona. E é assim que minha história se passa, uma criança suja fazendo arte, ninguém sabe aonde vai cair o proximo pingo de tinta.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
para sua corja
Sempre me disseram que eu deveria fazer meu melhor, mas agora vejo que algumas pessoas merecem meu pior. Certas pessoas me enojam, parecem deixar um rastro de asco, o simples respirar delas impregna o ar. E estas pessoas não merecem meu melhor, nem minha indiferença, merecem minha pior parte, a que está à altutra delas, minha parte mais suja, mais doente, tão asquerosa quanto elas. Merecem o vômito de idéias que me faz mal, o lixo na minha mente, o que há de mais sórdido. Despejo os dejetos nelas para não ser igual às proprias, e guardo o que há de melhor só pros melhores. Talvez devesse oferecer o melhor às piores, ou talvez melhor fosse ignorá-las, mas minha humanidade não permite - se bem que minha pior parte revela-se tão boa quanto a melhor. É, infelizmente não sou boa o suficiente para fingir que este tipo de pessoas não existe, então o que me resta é insultá-las oferecendo toda minha podridão, é como se assim eu me purificasse - são minha latrina, mas pessoas que já vivem no esgoto até gostam desta função. Pessoas deste tipo despertam em mim os piores sentimentos, as piores sensações, nada mais justo que jogá-los nelas devolta. E é assim, guardo meu melhor pros melhores.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
pentotal sódico EV lento
Eu gosto de observar as pessoas dançando. Como elas pensam que calculam cada proximo movimento, e como elas caem, principalmente. É gratificante perceber que ninguém me conhece realmente, por mais que possa parecer desonesto, mascaras me concedem certa segurança. Gosto de ver como as pessoas se auto-afirmam, gritam, rugem - se perdem em meio a elas proprias. Dá um certo prazer, uma sensação de vitória, ver alguém me decodificando errado, ver alguém pisando na armadilha. É uma sensação de dever cumprido - e o melhor: é só minha, é um prazer todo e completamente meu. Todos mentem, afinal. Uns mentem pra si próprios: os honestos. Outros mentem pra si e pra todos: os burros. Já outros mentem para o resto, guardam suas verdades a si proprios somente, só eles tem seu dossiê completo. Mas no final, todos mentem. Gosto também de observar a argilosidade das pessoas, na verdade gosto de observar as pessoas - como elas se ancaixam em espécies, mas devo confessar que os desvirtuosos são mais interessantes. Gosto de pisar em armadilhas, mas gosto ainda mais de desarma-las e gosto ainda mais de saber que posso fazer isso tudo só. Como aprecio a solidão. Mas aprecio também a convivencia, mas uma convivencia de maneira isolada(como um cientista dentro de um aquario), é ela que me permite aprender sobre como as pessoas agem. Quanto a convivencia tradicional - maldita seja - pessoas só atrapalham, só me atrasam, não me permitem progredir - elas insistem a prender-se (não fazem falta). Desculpem, fazem muita falta: são objetos de estudo. Mas certos costrangimentos e irritaçoes poderiam ser evitados - odeio como o eco de suas vozes atormenta meus pensamentos. O silencio me inspira, já as vozes e zumbidos de pessoas tão comuns parecem paralizar a atividade cerebral quando não são quistas. Viver exige concentração, e estão a todo tempo tentanto distrair-me. Aprecio sim companhia, de algumas pessoas - daquelas que observam também, elas que estão a todo tempo procurando armadilhas, e não ligam de serem pegas por elas. Me atraem, são intrigantes, soltas. Introspectivas, não me impedem de progredir - e principalmente não me atormentam com coisas inúteis. Mentem bem, e gostam de pistas falsas. É como um jogo de charadas - excitantes.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Sopro
Acalma-te que o vento sempre muda de direção. Aprecia a serenidade. Escuta atento o silencio. Aprenda a aconchegar-te no vazio. Sentes agora? Observa o que temias: nada além de sombras na parede do quarto. Sopra a vela, e agora só tens tu e a escuridão. Fecha os olhos, abra os olhos: nada muda. Acenda a vela novamente pra que eu possa ver teu rosto. Ah garoto, a vida é tão mais fácil quando não complicas coisas simples. Se tu visses a verdade por detrás de teus montros, creio eu que até sentirias certo apreço por eles. Recomponha-te logo e vai ver o sol, e não vás enconder-te dos espelhos, enxerga como tu és e aceita - com medos e defeitos e fraquezas e erros. Mas vai logo, já posso ver daqui os primeiros raios manchando de sépia a serenidade azul do céu e do mar. Lembra-te: satisfaça tua sede por ti, segura o leme da tua vida e acalma-te, logo mais o vento volta a soprar estufando tuas velas para que possas navegar.
sábado, 11 de setembro de 2010
Álea
Posso ouvir o som dos dados batendo sobre a madeira enquanto rolam, estão escolhendo como querem parar. Mais uma vez eles foram lançados, mais uma vez o destino está suspenso até que eles parem, e decidam-no. Enquanto isso a platéia assiste sem sequer pestanejar a este balé, anciando pelo desfecho da tragédia. E como gostam - estes dados - des serem admirados, nem sequer sabem o quanto podem decidir, e nem ligam para a aflição do público, sem pressa eles levam tempo até encerrar o espetáculo. Quanto menos se preocupam com a apreciação do fim desejado. Eles param ali, como querem, fecham as cortinas, e nós que nos conformemos. E ainda nos dizem com requintes de crueldade: "Ces't la vie, mon amour."
Tolos que somos, pedimos bis ao fim do espetáculo, assim os tais dados sobem ao palco novamente. Mais uma vez eles são lançados a fim de decidir nossas vidas. Eles rolam freneticamente batuqueando na madeira, e quando param: novo rumo, novo tudo. E é assim que é, lançaremos dados até que algum dia nossa jogada nos tire do jogo.
Tolos que somos, pedimos bis ao fim do espetáculo, assim os tais dados sobem ao palco novamente. Mais uma vez eles são lançados a fim de decidir nossas vidas. Eles rolam freneticamente batuqueando na madeira, e quando param: novo rumo, novo tudo. E é assim que é, lançaremos dados até que algum dia nossa jogada nos tire do jogo.
sábado, 28 de agosto de 2010
Would you take the pill?
E eu, que sempre gostei do estranho, da aberração, de tudo que não faz sentido, estava desejando agora um pouco de normalidade. Sempre reneguei todo e qualquer tipo de calmaria, e agora queria saber o gosto que tem a certeza. Me contradizendo. Mas não que gostasse da tormenta por rebeldia infantil, diria que como instinto de sobrevivência. Porém, ali, desejei a comodidade do imutável. Toda a freneticidade que queima como combustível chegou a saturação máxima, e como tudo que chega ao extremo reverteu-se categoricamente à antítese: parei. Ignorância dos satisfeitos, como será viver incrustado na padronização? Talvez seja bom, confortável. Certo que incompleto, mas não do ponto de vista deles. Mas como já disse antes, o gosto pelo desajustado não foi minha escolha, é instinto de sobrevivencia, deixe-me explicar. Há aqueles que nunca tomam a pílula, nem tomam conhecimento dela na realidade, vivem felizes, creio eu. Há aqueles que tomam a pílula por querer - ah que tolos, perdem a oportunidade de uma vida plena(no âmbito que lhes pertencia). Mas existem aqueles a quem não é dada escolha, nascem fora e ponto final, aí toda a loucura é necessária para viver, ou sobreviver. Estes dois últimos (um por escolha, o outro por falta de opção) estão fadados a jamais serem satisfeitos, jamais terem vida plena, a busca pelo novo é uma constante, assim como o desapontamento por um saber tão ínfimo, afinal o universo em que estes vivem é infinitamente maior do dos que nunca tomam a pílula, estes ignoram a maior parte dele. Em contraponto, quem expande sua visão vive mais intensamente, em tudo. Daí que vem o gosto pelos extremos, por tudo que não pode ser explicado - anormal. Mas não que não gostem de viver dessa maneira, toda essa incerteza e inconstância é o que os move. Se querem o outro lado? Óbvio que sim, querem toda a sensação nunca experimentada, mas jamais querem o pra sempre, por isso não o tem. Já lhe disse, por escolha ou destino, aprendem a apaixonar-se pelo não certo.
Mas mesmo diante de tudo isso, ali, eu queria a pacificidade monótona do normal, nem que fosse por alguns instantes(na realidade queria só por alguns instantes - ou por algumas pessoas). Mas vocês sabem como agem os apaixonados, mesmo angustiados jamais renegam aquilo que veneram mais. E por saber que para ter meus segundos de normalidade teria de renunciar a minha paixão pela incerteza (repito: adquirida por instinto de sobrevivência) me contento em viver com mais esta dúvida e desapontamento: não conhecer o gosto do certo.
Mas mesmo diante de tudo isso, ali, eu queria a pacificidade monótona do normal, nem que fosse por alguns instantes(na realidade queria só por alguns instantes - ou por algumas pessoas). Mas vocês sabem como agem os apaixonados, mesmo angustiados jamais renegam aquilo que veneram mais. E por saber que para ter meus segundos de normalidade teria de renunciar a minha paixão pela incerteza (repito: adquirida por instinto de sobrevivência) me contento em viver com mais esta dúvida e desapontamento: não conhecer o gosto do certo.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Frisson
Sozinha. Uma criança sozinha. Uma criança sozinha em um lugar desconhecido. Tudo parece tão novo, a cada passo uma nova descoberta. Cada vez que toca algo descobre uma nova sensação, e como é bom tocar em tudo e descobrir milhões de sensações novas! Cada coisa que ela puxa revela algo, é como um vício: descobrir. Mas todo vício tem seus riscos, a sim, muitos riscos, mas quem liga para eles no frisson daquele momento. Mas a pequena descobriu que nem todas as sensações são tão maravilhosas assim, alguns lugares que a gente toca trazem coisas as quais preferiríamos não sentir. Mas o vício é mais poderoso, e não nos abalamos, a sede pelo nova inunda-nos de arrepios e afins. A menina descobrira, pois, o que pulsa em seu interior.
domingo, 25 de julho de 2010
um fim, dois fins
Que bom seria se todos os pra sempres fossem, e se todas as promessas se cumprissem. Analise, quantas pessoas já saíram da sua vida, e quantas daquelas que disseram não te largar realmente ficaram. É, mas pense também que cada vez que alguém parte, você parte para este alguém também, somos nós que achamos que ficamos no mesmo lugar e os outros que se vão, quando na verdade estamos todos sempre orbitando pelo infinito do tempo. Somos todos partículas que se colidem todo o tempo, indo e vindo e voltando e partindo, talvez alguma colisão algum dia seja tão forte a ponto de unir duas partículas até o fim - mas nunca saberemos se isso já aconteceu conosco - mas ao fim sempre haverá um colisão mais forte que todas que nos separará. E é possível sim reencontrar pessoas durante essa nossa órbita, mais de uma vez, portanto o fim também não é pra sempre. Somos todos inconstantes demais, portanto petulantes quando nos arriscamos em dizer para sempre. Mas mesmo depois de descobrirmos que tudo não é pra sempre insistimos nessa infantil ilusão, porque é mais bonito dizer 'pra sempre' do que dizer admitir que um dia acabará, e também porque nunca deixaremos de acreditar que algum dia vamos encontrar a partícula que se fundirá a nós esperando o único momento inevitável. E quer saber, bom mesmo que acreditemos nisto, afinal qual seria a graça em se esperar o fim? Quando achamos que as coisas não tem fim não perdemos tempo planejando o adeus ou a continuação, o bom do pra sempre é a sua imprecisão.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Pensamento Vago
Tamanha insanidade, a todo instante tento chegar em respostas e contento-me apenas com pensamentos e mais pensamentos sem rumo. Sem rumo, é isso. Por isso não se surpreenda e nem tente entender, acabará preso à teia de ideologias quebradas e sentimentos abarrotados, suprimidos e enrolados. É preciso prender-se, no sentido de enclausuramento, por algum tempo para chegar a liberdade, nem que seja conceitual, afinal um conceito seria útil agora: conceito de viver, sé é que viver assume um só conceito. Talvez esse seja o motivo da impossibilidade de conceituar vida, ela é mais emaranhada que meu eu interior, ou será que meu eu interior é minha vida? É, eu te disse pra não tentar entender. Talvez entender o que é entender seria um bom começo, afinal quando é que entendemos realmente e quando achamos que entendemos? Este segundo caso é o mais comum, sempre achamos que entendemos tudo, na realidade o que mais fazemos em nossas vidas é achar, porém, agora não me acho. Se não consigo achar minha própria existência conseguirei eu achar a existência de semelhantes? E se nem sei minhas peculiaridades para assemelhar-me a algum. Achar sobre outros sempre é tarefa mais fácil, garanto que você já achou sobre mim, assim como eu achei sobre outros e não sobre mim mesmo, achar erros dos outros então é tarefa mais fácil, e as vezes até agradável, já os nossos erros parecem escondidos sob orgulho, vaidade, medo, que pesam toneladas sustentando nosso ego. Proeza a minha: erros meus achei muitos, algo em mim eu achei. Será então que eu me resumo em uma sucessão de erros? Mas erros podem ser acertos também, porém não foram todos acertos nem todos erros, mas podem ter sido - o importante é que sejam.
Ser, tamanha questão, voltando ao ponto inicial. Afinal, o que é ser? O que se faz necessário para que algo seja? A mera opinião dos outros é que lhe faz ser? Ou é a sua própria opinião o que lhe faz? O que fazer quando não se tem opinião a respeito de si mesmo? Perguntas, perguntas, perguntas – eis outra coisa que achei em mim. Desse modo, descrevo-me, até agora, como um conjunto de erros, que podem ter sido acertos, e perguntas.
Eis um problema: como posso ser perguntas se não tenho respostas? Talvez, então, as respostas estejam suprimidas no fundo da alma, onde jamais alguém conseguiu chegar. Mas e se as respostas para as minhas perguntas não estiverem nas entranhas da minha alma e sim na do próximo? Aí então só as encontrarei após conhecer profundamente o interior dos outros, o que me leva a crer que para reconhecer-me antes devo conhecer a fundo os que me cercam. Mas para entender os outros preciso me entender e para tal preciso achar respostas, que não podem se encontradas em mim, só neles - paradigma. No entanto, entender pode ser que não se faça necessário, visto que conhecemos tantas coisas que nem entendemos. Na realidade, não entendemos é nada - afinal, não entendemos a nós próprios. Portanto, a conclusão é que absolutamente nada entendemos. Contradições, emaranhados de contradições, é o que somos.
Evolução: até o dado momento descrevo-me como um conjunto de erros, que podem ter sido acertos, e perguntas sem respostas alcançáveis, que me levam a milhares de contradições.
Será que em meio a tantos nós reside em mim algo cristalino, algo certo? É difícil imaginar que meio a tanta confusão possa haver qualquer coisa que chegue perto de ser óbvia. Se ver é o que desejo, então primeiro vamos tentar esticar a linha seguindo os conselhos de uma velha bordadeira: para desenrolar o novelo precisamos antes encontrar o começo e o fim - pare por aí! Claro, duas coisas nitidamente visíveis e imutáveis: Início todos tivemos algum, e fim, por mais que se tente evitar, por mais que tentemos ao máximo distorcê-lo, ele sempre chegará quando desejar. O que acontece no meio é incógnita. Se tenho duas coisas concretas em mim minhas esperanças para entender-me reacendem.
Entendimento do ser até o momento: um conjunto de erros, que podem ter sido acertos; perguntas sem respostas alcançáveis que me lavam a milhares de contradições; começo e fim.
E esta tal incógnita entre as pontas, o que se passa? Será que poderia eu achar alguma expressão matemática a fim de desvendá-la? Certamente faria uso de infinitas variáveis. Isto no meio é tudo que acontece: é tudo que faço, tudo que me fazem, tudo que penso em fazer, que me farão, tudo que tentei fazer, tudo que sonhei fazer, tudo que desisti de fazer, que vou fazer, tudo que faço aos outros, que fiz aos outros, tudo que me fizeram, tudo que pensam em me fazer, que pensaram em me fazer, tudo que posso fazer, tudo que jamais farei, tudo que jamais me fizeram, tudo que farei aos outros, tudo que não consegui fazer, que não conseguirei fazer, tudo que já quis fazer - lista infinitamente contínua - enfim: Fazer. Tudo que está no meio se resume em viver, não? É, viver é o que está entreposto depois de começar e antes que acabe. Mas e aí, eu faço porque vivo, ou vivo porque faço? Como tudo, sem respostas. Acabo frustrada num ciclo vicioso, e todos sabem que eles são infinitos, mas eu sei que tenho prazo de validade. Tola, caí nessas idas e vindas sem fim por desatenção, esqueci-me que já havia constatado a “impossibilidade de conceituar a vida”- minhas próprias palavras ditas anteriormente. Mas não foi à toa, obviamente está impossibilidade se deve ao fato que as variáveis cabíveis são infinitas. Embora a vida venha com a hora pra acabar o que farei até lá pode ser qualquer coisa. Estas quaisquer coisas vão desenhar meu trajeto, elas que se embolam deixando o meio incompreensível - este trajeto demarcado não se apaga. Ora pois, tenho uma parte que prossegue mesmo após o fim. Mas do que é feita esta porção minha? Bom, se são resquícios das conseqüências da escolha do valor das variáveis, elas não são concretas. E para durarem após meu fim não podem estar juntas de mim: palavras? Mas palavras não são na realidade uma mera movimentação de ar para expurgar idéias da minha cabeça? Afinal não é qualquer palavra que continua solta pelo universo, são só aquelas carregadas de expressão - e palavras expressivas são idéias fecundadas no cérebro.
Conclusão momentânea: um conjunto de erros, que podem ter sido acertos; perguntas sem respostas alcançáveis que me lavam a milhares de contradições; começo e fim - com infinitas variáveis entrepostas; uma extensão presente após o fim - idéias navegantes.
[aguarda continuações]
[aguarda continuações]
sábado, 19 de junho de 2010
click
Descrença total é burrice, é inexistência. Pra se renegar de tal forma há de haver, no entanto, crença maior ainda no que não se acredita. É declarar-se praticante fervoroso, porém machucado, oprimido, chocando-se sempre contra a parede ao descobrir que fé não se perde. Quem desacredita absolutamente julga iludidos eles que se entregam de corpo e alma, sabendo que na verdade são eles próprios os mais atirados ao sentimento, completamente iludidos diante da suposta total desilusão.
Menos se entrega aquele que atira-se totalmente de cara limpa do que eles que estão por detrás das máscaras sofrendo - é como gritar quando se está amordaçado, é medo proveniente de alguma desilusão. Mas tudo bem enquanto se está criando forças para cair novamante.
Menos se entrega aquele que atira-se totalmente de cara limpa do que eles que estão por detrás das máscaras sofrendo - é como gritar quando se está amordaçado, é medo proveniente de alguma desilusão. Mas tudo bem enquanto se está criando forças para cair novamante.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Faze-te
E se ela tentasse viver, será que a deixariam? Ela sempre tão presa, se tentasse um dia ser livre, que desfecho se consolidaria? Ela grita, ela surta, ela sai de si no mais absoluto silêncio. Tanto a reprimem, tanto a julgam que nem se lembram quem ela é. Seria hora de mostrar-se? Fragilidade aparente, mas não a deixam testar até onde pode ir sua resistência. E se ela dissesse não que não quer mais? Contasse seus verdadeiros planos, resolvesse aparecer, mudasse as prioridades, talvez. Levariam-na para o hospício, amarrariam-na à cama e a sedariam, mas e daí se já é assim que ela vive - amordaçada, presa a seus forjadamente próprios dogmas. Não muito é o que ela tem a perder, um mundo inteiro para ganhar. Seria um bom programa para um dia de sol, como hoje. Mas infelizmente hoje ela não estava em seus melhores dias, talvez numa proxima.
E se ela tentasse viver, será que a deixariam?
E se ela tentasse viver, será que a deixariam?
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Ausência
Hoje eu acordei, mas não acordei comigo. Fui só um corpo vagando pelo espaço, e todas as ideias lá, concentradas, adormecidas, pensativas em seu canto, preguiçosas. O corpo seguiu o itinerário sem alterá-lo, é sempre assim quando a alma não vem junto, corpos não são errantes, obedecem ao comum. Eu estava lá, ainda adormecida, considerando todas as hipóteses, criando expectativas. A mente estava ali, trabalhando, enquanto meu corpo se movia involuntariamente, e Eu sonhava.
Hoje não quis pensar em outra coisa, não quis olhar outra paisagem, sentir algo novo, todos os esforços estavam dirigidos a entender as coisas antigas, por isso nem pra acordar tive forças - como naqueles domingos gelados e úmidos em que o maior esforço é tomar um chocolate quente fervendo que queima a ponta da lingua. A porção física que me compõe sorriu, conversou, respondeu e parecia viva, mas fez tudo inconsientemente, os olhos eram mudos. Não foi capaz de perceber nada ao seu redor, sequer guardou alguma marca deste dia, ele simplesmente não existiu. Hoje a alma pediu para não ser perturbada, ela estava exausta, tem trabalhado muito devido as oscilações constantes, mas pediu pra avisar que está feliz, só estava preguiçosa mesmo. Ela que não resolva fazer mais dessas, ou então história alguma será escrita.
E pensar que existem pessoas com almas preguiçosas sempre dormentes, pobres coitadas, fadadas a serem incompletas.
Hoje não quis pensar em outra coisa, não quis olhar outra paisagem, sentir algo novo, todos os esforços estavam dirigidos a entender as coisas antigas, por isso nem pra acordar tive forças - como naqueles domingos gelados e úmidos em que o maior esforço é tomar um chocolate quente fervendo que queima a ponta da lingua. A porção física que me compõe sorriu, conversou, respondeu e parecia viva, mas fez tudo inconsientemente, os olhos eram mudos. Não foi capaz de perceber nada ao seu redor, sequer guardou alguma marca deste dia, ele simplesmente não existiu. Hoje a alma pediu para não ser perturbada, ela estava exausta, tem trabalhado muito devido as oscilações constantes, mas pediu pra avisar que está feliz, só estava preguiçosa mesmo. Ela que não resolva fazer mais dessas, ou então história alguma será escrita.
E pensar que existem pessoas com almas preguiçosas sempre dormentes, pobres coitadas, fadadas a serem incompletas.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Carrossel
Tempo espiral, vai descendododododododo...girandodododo...e quando chegamos ao fim parece que estamos no ponto de partida(?) ok, então não estamos no fim, mas começo também já não é mais.
Estamos escorregaa
aaaaaa
a
aaaaa
aaaa
ando. Perdidos? Não, afinal, como poderíamos se nem sabemos onde queremos chegar.
Passamos perto do que já fomos, até parece que voltamos a ser,IOLÃUSSUÃLOI, é uma pena que o tempo - teimoso como ele só - não volte atrás nunca. Às vezes quando passamos ali por perto estamos de ponta cabeça, aí parece que etá tuvirdoracondofuso, tolinhos, falta um pouco mais de interpretação e então verão que tudo não passa da mesma coisa. Fica tão mais difícil de entender quando as coisas onã sãteo na deorm euq çohenecoms, talvez seja por isso que não dê pra entender a vida, talvez se tentássemos enxergá-la por outra ordem...já percebeu como cismamos que tudo tem que ter um começo, meio e fim, necessariamente nesta ordem. Mas se eu quiser ter só o começo, pra sempre? ou então se não existir um começo (porque às vezes não sabemos como as coisas começaram, e aí pra aderirmos às regras criamos um começo) estaria errado? E se eu não quisesse que nehum deles existisse? Chamaria tudo de vida(?)
Não, chamaria tudo de tempo! Claro! Isto é o que o tempo é, ele não tem meio - fim - começo, é só, único. Pois é, perceberam como não faz sentido correr do/no tempo? Não faz diferença nenhuma, e continuamos todos tentando acelerar o passo, achando que estamos ganhando, sempre remando contra a maré. Depois que corremos tanto, fizemos tanto esforço e nos enganamos achando que fomos mais velozes, descobrimos o quanto queríamos voltar, e deixar fluir naturalmente. E o tempo? há, este não está nem ligando, continua a cumprir seu papel, e continua girando na sua espiral.
Estamos escorregaa
aaaaaa
a
aaaaa
aaaa
ando. Perdidos? Não, afinal, como poderíamos se nem sabemos onde queremos chegar.
Passamos perto do que já fomos, até parece que voltamos a ser,IOLÃUSSUÃLOI, é uma pena que o tempo - teimoso como ele só - não volte atrás nunca. Às vezes quando passamos ali por perto estamos de ponta cabeça, aí parece que etá tuvirdoracondofuso, tolinhos, falta um pouco mais de interpretação e então verão que tudo não passa da mesma coisa. Fica tão mais difícil de entender quando as coisas onã sãteo na deorm euq çohenecoms, talvez seja por isso que não dê pra entender a vida, talvez se tentássemos enxergá-la por outra ordem...já percebeu como cismamos que tudo tem que ter um começo, meio e fim, necessariamente nesta ordem. Mas se eu quiser ter só o começo, pra sempre? ou então se não existir um começo (porque às vezes não sabemos como as coisas começaram, e aí pra aderirmos às regras criamos um começo) estaria errado? E se eu não quisesse que nehum deles existisse? Chamaria tudo de vida(?)
Não, chamaria tudo de tempo! Claro! Isto é o que o tempo é, ele não tem meio - fim - começo, é só, único. Pois é, perceberam como não faz sentido correr do/no tempo? Não faz diferença nenhuma, e continuamos todos tentando acelerar o passo, achando que estamos ganhando, sempre remando contra a maré. Depois que corremos tanto, fizemos tanto esforço e nos enganamos achando que fomos mais velozes, descobrimos o quanto queríamos voltar, e deixar fluir naturalmente. E o tempo? há, este não está nem ligando, continua a cumprir seu papel, e continua girando na sua espiral.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
[em branco]
O incerto é tão mais belo, tão mais provocante. Antes medo que monotonia, antes correr riscos que riscá-los da vida. Esta história de com certeza irá dar certo é tão pouco atrativa, chega a ser redundante. Faltam as interrogações, os poréns, a malícia manipuladora da dúvida. A certeza é sólida, imutável, imóvel, onde está a graça em saber o fim logo de início? Nínguém quer saber o final do livro antes de passar pelo clímax. É bom não saber de nada, pode-se inventar tudo, e reinventar tudo denovo, denovo e denovo. Aquele frio na barriga, aquela sensação de que tudo pode dar errado, de não saber pra onde vai, sem planos. No meio do caminhos pistas espalhadas, algumas delas falsas, todas obscuras, como uma charada em que toda resposta é uma nova charada. Sim, isso provoca, torna o ser instintivo e faz querer sempre mais. O certo é uma linha reta, com início e chegada predefinidos, sem desvios no meio do caminho, sem mudanças de rota, tédio. Já a dúvida é frenética, vai e vens de pensamentos e mais pensamentos fluindo, girando, correndo, caindo, voltando, evaporando, gritando, indo, voando, surgindo - entorpeçendo. Viver do pré-definido é medíocre, e mais assustador que não saber, é angustiante, sufocante. A incerteza traz certa paz.
Biografia Mínima:
Vento
P.s.: Porque o vento vai onde quer mas pode voltar a qualquer hora, ele está sempre em movimento. O vento é leve mas imponente, sutilmente, consegue com que todos façam o que deseja sem que percebam. Ele pode ser brando e furioso, acalmar e amedrontar, pode te tirar algo mas pode te trazer tudo. Mas principalmente o vento porque ninguém pode prendê-lo, mesmo que se tente, jamais será possível o manter no mesmo lugar - mesmo que pareça fácil-, se aprisioná-lo ele deixa de ser vento, porque na sua essência o vento é livre, e é somente assim que ele existe. Ninguém o possui, ninguém o tem nas mãos por mais que alguns rápidos instantes. Mesmo sem pertencer a ninguém ele é de todos, a todo instante e não se envaidece diante de tamanha complexidade, continua a ser simplesmente o vento.
P.s.: Porque o vento vai onde quer mas pode voltar a qualquer hora, ele está sempre em movimento. O vento é leve mas imponente, sutilmente, consegue com que todos façam o que deseja sem que percebam. Ele pode ser brando e furioso, acalmar e amedrontar, pode te tirar algo mas pode te trazer tudo. Mas principalmente o vento porque ninguém pode prendê-lo, mesmo que se tente, jamais será possível o manter no mesmo lugar - mesmo que pareça fácil-, se aprisioná-lo ele deixa de ser vento, porque na sua essência o vento é livre, e é somente assim que ele existe. Ninguém o possui, ninguém o tem nas mãos por mais que alguns rápidos instantes. Mesmo sem pertencer a ninguém ele é de todos, a todo instante e não se envaidece diante de tamanha complexidade, continua a ser simplesmente o vento.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
auto-ilusão
Ter a confiança de alguém pode ser muito inconveniente, afinal é servir de apoio a alguém sem nem sequer ser questionado antes sobre o encargo, pois diversas vezes conquistamos confianças alheias sem jamais ter tido esta intenção, logo vem uma série de exigências, como se nós fossemos culpados e devêssemos assumir tal responsabilidade. Quando se confia em alguém é bom que se comunique o quanto de fé está sendo depositada no sujeito, para evitar desapontamentos, embora na maioria vezes eles sejam inevitáveis. Criar expectativas sobre os outros é como construir-se na vida deles sem seu consentimento, ninguém o deveria fazer. Ainda mais quando creio que ninguém é digno de confiança, nem nós mesmos devíamos nos confiar. Eu não me confio, não me asseguro, como poderia se mal me conheço, se mal sei se levantarei amanhã. Confiança é a maneira que as pessoas arranjaram para dividirem o peso da vida, jogá-lo nas costas de alguém, e ainda ter um lugar para apoiar-se, porque se alguma coisa deu errado a culpa sempre é do sujeito que o desapontou, não foi incompetência sua, foi desilusão. Falta de coragem para correr riscos e uma fatídica frase: 'Não devia ter acreditado tanto em você, não merecia minha confiança.' Então por que o fez se ja era fato sabido?
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Lentes Cor-de-Rosa
Um sol brilhando, um céu azul. Tudo parece se dissolver mais fácil. A luz que entra sorrateira é capaz de clarear tudo, breve, o nascer do sol pode mudar a historia inteira. O calor brando aquieta os males, o raio que brilha nos olhos enche tudo de cor novamente. A mesma música agora parece extremamente agradável aos ouvidos. Uma atmosfera levemente amarelada faz tudo parecer mais alegre, e um timido sorriso de canto é até capaz de aparecer, assim bem tímido. Se respirar fundo sentirá um ar gélido em seus pulmões, em contraste com a tonalidade quase vermelha lá no horizonte. E até o fim predomina essa sensação, já que as cores da vida adquirem certa saturação.
Mas não podemos esquecer da singela e melancólica beleza dos dias cinzas, que, com uma cor só, se valem de diversas tonalidades para mais timidamente expressarem-se. Como se sentissem vergonha por não poderem ostentar um ciano magnifico, perfeito. Dias cinzas, ao contrário dos ensolarados que já vem rotulados, são como uma folha em branco, aceitam que faça o que queira deles. A cor do pôr-do-sol vai depender da palheta de cores do artista.
Mas não podemos esquecer da singela e melancólica beleza dos dias cinzas, que, com uma cor só, se valem de diversas tonalidades para mais timidamente expressarem-se. Como se sentissem vergonha por não poderem ostentar um ciano magnifico, perfeito. Dias cinzas, ao contrário dos ensolarados que já vem rotulados, são como uma folha em branco, aceitam que faça o que queira deles. A cor do pôr-do-sol vai depender da palheta de cores do artista.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Cores de Lembranças Futuras
Porém fotos, embora belas, são meros esboços do real sentimento que há por detrás delas. maneiras que temos de voltar por breves instantes no tempo.
Fotos, todos tem fotos, todos olham fotos, todos.
Fotos, todos tem fotos, todos olham fotos, todos.
Pedaços, ínfimos, do que sobrou de algum momento. Toda vez que as olho embarco em uma viagem, elas sempre vem junto com algum gosto na boca, ou um cheiro na ponta dos dedos, palavras ditas, um sentimento adormecido. As imagens de um passado, distante ou recente, mas passado, sempre belo aos olhos do presente. Melancolia domina o ser. Mesmo quando as fotos não dizem respeito ao seu passado, são sempre a história de alguém, as dores de alguém, as conquistas. É como se guardássemos fisicamente uma parte de nossos pensamentos, diante delas não é mais impossível impregnar um papel com sentimentos. Fotos são amigos, amores, é possivel perder-se meio a elas, é possivel não sentir-se só quando junto delas, mas não se pode viver delas. E se tirássemos fotos do futuro, será que viriam carregadas de emoções também? Mire longe e ouça o som do obturador, descubra sentimentos de uma "lembrança futura", talvez. Mas acho que se pudessemos tirar uma foto do futuro seria como uma dessas de máquinas polaróides, preta no início, não faria sentido algum, iria se revelando aos poucos, ganhando algumas cores, algumas formas, até que se chegasse ao fim: uma imagem, não necessariamente a que esperávamos - não, assim, é a vida?
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Introspecção
- Eu quero que você feche a porta, só isso.
Assim como quem diz: tranque seu coração e sua alma pra sempre. E faz isso por medo ou mero capricho, ambos resultam na mesma dor: gotas melindrosas partindo da porta da alma - agora cerrada - e desenhando cuidadosamente as curvas do sofrimento até caírem, finalmente, no mar.
É bom que se prenda a alma certas vezes, fechar portas janelas e cortinas, talvez ela se encontre no escuro, ou talvez definhe só. Porém repetidos estrondos absurdamente altos perturbam este enclausuramento particular, malditos, não entendem que os pensamentos precisam ser aquietados, assim como os pequenos ele tem de adormecer para haver paz. Pede-se silencio absoluto, a alma está de castigo nada de interferências ou divertimentos. Mas toda vez aparece esse grotesco estrondo e os pensamentos despertam com maior vigor, verdadeira algazarra, milhões de vozes estridentes põe-se a exigir razão, tudo isso somado só pode acabar por explodir: portas, janelas, cortinas, paredes e pedaços de alma voam pelos ares.
Parece impossível estar só.
Assim como quem diz: tranque seu coração e sua alma pra sempre. E faz isso por medo ou mero capricho, ambos resultam na mesma dor: gotas melindrosas partindo da porta da alma - agora cerrada - e desenhando cuidadosamente as curvas do sofrimento até caírem, finalmente, no mar.
É bom que se prenda a alma certas vezes, fechar portas janelas e cortinas, talvez ela se encontre no escuro, ou talvez definhe só. Porém repetidos estrondos absurdamente altos perturbam este enclausuramento particular, malditos, não entendem que os pensamentos precisam ser aquietados, assim como os pequenos ele tem de adormecer para haver paz. Pede-se silencio absoluto, a alma está de castigo nada de interferências ou divertimentos. Mas toda vez aparece esse grotesco estrondo e os pensamentos despertam com maior vigor, verdadeira algazarra, milhões de vozes estridentes põe-se a exigir razão, tudo isso somado só pode acabar por explodir: portas, janelas, cortinas, paredes e pedaços de alma voam pelos ares.
Parece impossível estar só.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Abismo de surrealidades
Ver, o que é realmente ver, e o que é achar que vemos. Como saber se o que vemos é tudo que existe, ou se tudo que vemos existe?
Mas se querem me entender então primeiro se desprendam deste conceito físico da visão. Para começo de conversa é bom que saiba que o que vemos com os olhos é despresível, sim. O que importa nós só coseguimos enxergar a partir de idéias, conhecimento, e é aí que a grande maioria para, e estes são os primeiros que acham que veem alguma coisa, e saem por aí dizendo imensos absurdos. Segundo: devemos diferenciar o que vemos do que sentimos. É, os sentimentos nos negaceam. Muitos creem que sentir é ver, tolos. Sentir é dom natural proveniente da condição humana, ver é um exercício da mente, é abrir fronteiras - ver além.
Agora sim, fazem sentido as perguntas do inicio. Como ver parte das idéias é preciso cuidado para delimitar sonho e realidade, porque embora haja um abismo monumental entre tais a nossa coragem de pular deste abismo e viver no sonho é fenomenal. Mas é caracteristica de quem enxerga viver sempre no limiar, como se fosse numa corda bamba, e frequentemente são tidos como loucos e desequilibrados - desequilibrados são os que já cairam da tal corda e vivem nos seus mundos preto e branco ou artificialmente rosa. Falta coragem para andarem na beira do precipicio.
Deve ser porque a vontade de se jogar fique muito grande.
Mas se querem me entender então primeiro se desprendam deste conceito físico da visão. Para começo de conversa é bom que saiba que o que vemos com os olhos é despresível, sim. O que importa nós só coseguimos enxergar a partir de idéias, conhecimento, e é aí que a grande maioria para, e estes são os primeiros que acham que veem alguma coisa, e saem por aí dizendo imensos absurdos. Segundo: devemos diferenciar o que vemos do que sentimos. É, os sentimentos nos negaceam. Muitos creem que sentir é ver, tolos. Sentir é dom natural proveniente da condição humana, ver é um exercício da mente, é abrir fronteiras - ver além.
Agora sim, fazem sentido as perguntas do inicio. Como ver parte das idéias é preciso cuidado para delimitar sonho e realidade, porque embora haja um abismo monumental entre tais a nossa coragem de pular deste abismo e viver no sonho é fenomenal. Mas é caracteristica de quem enxerga viver sempre no limiar, como se fosse numa corda bamba, e frequentemente são tidos como loucos e desequilibrados - desequilibrados são os que já cairam da tal corda e vivem nos seus mundos preto e branco ou artificialmente rosa. Falta coragem para andarem na beira do precipicio.
Deve ser porque a vontade de se jogar fique muito grande.
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