Vento
P.s.: Porque o vento vai onde quer mas pode voltar a qualquer hora, ele está sempre em movimento. O vento é leve mas imponente, sutilmente, consegue com que todos façam o que deseja sem que percebam. Ele pode ser brando e furioso, acalmar e amedrontar, pode te tirar algo mas pode te trazer tudo. Mas principalmente o vento porque ninguém pode prendê-lo, mesmo que se tente, jamais será possível o manter no mesmo lugar - mesmo que pareça fácil-, se aprisioná-lo ele deixa de ser vento, porque na sua essência o vento é livre, e é somente assim que ele existe. Ninguém o possui, ninguém o tem nas mãos por mais que alguns rápidos instantes, mesmo sem pertencer a ninguém ele é de todos, a todo instante. Porém não se envaidece diante de tamanha complexidade, continua a ser simplesmente o vento.
Pensamento vago
Tamanha insanidade, a todo instante tento chegar em respostas e contento-me apenas com pensamentos e mais pensamentos sem rumo. Sem rumo, é isso. Por isso não se surpreenda e nem tente entender, acabará preso à teia de ideologias quebradas e sentimentos abarrotados, suprimidos e enrolados. É preciso prender-se, no sentido de enclausuramento, por algum tempo para chegar a liberdade, nem que seja conceitual, afinal um conceito seria útil agora: conceito de viver, sé é que viver assume um só conceito. Talvez esse seja o motivo da impossibilidade de conceituar vida, ela é mais emaranhada que meu eu interior, ou será que meu eu interior é minha vida? É, eu te disse pra não tentar entender. Talvez entender o que é entender seria um bom começo, afinal quando é que entendemos realmente e quando achamos que entendemos? Este segundo caso é o mais comum, sempre achamos que entendemos tudo, na realidade o que mais fazemos em nossas vidas é achar, porém, agora não me acho. Se não consigo achar minha própria existência conseguirei eu achar a existência de semelhantes? E se nem sei minhas peculiaridades para assemelhar-me a algum. Achar sobre outros sempre é tarefa mais fácil, garanto que você já achou sobre mim, assim como eu achei sobre outros e não sobre mim mesmo, achar erros dos outros então é tarefa mais fácil, e as vezes até agradável, já os nossos erros parecem escondidos sob orgulho, vaidade, medo, que pesam toneladas sustentando nosso ego. Proeza a minha: erros meus achei muitos, algo em mim eu achei. Será então que eu me resumo em uma sucessão de erros? Mas erros podem ser acertos também, porém não foram todos acertos nem todos erros, mas podem ter sido - o importante é que sejam.
Ser, tamanha questão, voltando ao ponto inicial. Afinal, o que é ser? O que se faz necessário para que algo seja? A mera opinião dos outros é que lhe faz ser? Ou é a sua própria opinião o que lhe faz? O que fazer quando não se tem opinião a respeito de si mesmo? Perguntas, perguntas, perguntas – eis outra coisa que achei em mim. Desse modo, descrevo-me, até agora, como um conjunto de erros, que podem ter sido acertos, e perguntas.
Eis um problema: como posso ser perguntas se não tenho respostas? Talvez, então, as respostas estejam suprimidas no fundo da alma, onde jamais alguém conseguiu chegar. Mas e se as respostas para as minhas perguntas não estiverem nas entranhas da minha alma e sim na do próximo? Aí então só as encontrarei após conhecer profundamente o interior dos outros, o que me leva a crer que para reconhecer-me antes devo conhecer a fundo os que me cercam. Mas para entender os outros preciso me entender e para tal preciso achar respostas, que não podem se encontradas em mim, só neles - paradigma. No entanto, entender pode ser que não se faça necessário, visto que conhecemos tantas coisas que nem entendemos. Na realidade, não entendemos é nada - afinal, não entendemos a nós próprios. Portanto, a conclusão é que absolutamente nada entendemos. Contradições, emaranhados de contradições, é o que somos.
Evolução: até o dado momento descrevo-me como um conjunto de erros, que podem ter sido acertos, e perguntas sem respostas alcançáveis, que me levam a milhares de contradições.
Será que em meio a tantos nós reside em mim algo cristalino, algo certo? É difícil imaginar que meio a tanta confusão possa haver qualquer coisa que chegue perto de ser óbvia. Se ver é o que desejo, então primeiro vamos tentar esticar a linha seguindo os conselhos de uma velha bordadeira: para desenrolar o novelo precisamos antes encontrar o começo e o fim - pare por aí! Claro, duas coisas nitidamente visíveis e imutáveis: Início todos tivemos algum, e fim, por mais que se tente evitar, por mais que tentemos ao máximo distorcê-lo, ele sempre chegará quando desejar. O que acontece no meio é incógnita. Se tenho duas coisas concretas em mim minhas esperanças para entender-me reacendem.
Entendimento do ser até o momento: um conjunto de erros, que podem ter sido acertos; perguntas sem respostas alcançáveis que me lavam a milhares de contradições; começo e fim.
E esta tal incógnita entre as pontas, o que se passa? Será que poderia eu achar alguma expressão matemática a fim de desvendá-la? Certamente faria uso de infinitas variáveis. Isto no meio é tudo que acontece: é tudo que faço, tudo que me fazem, tudo que penso em fazer, que me farão, tudo que tentei fazer, tudo que sonhei fazer, tudo que desisti de fazer, que vou fazer, tudo que faço aos outros, que fiz aos outros, tudo que me fizeram, tudo que pensam em me fazer, que pensaram em me fazer, tudo que posso fazer, tudo que jamais farei, tudo que jamais me fizeram, tudo que farei aos outros, tudo que não consegui fazer, que não conseguirei fazer, tudo que já quis fazer - lista infinitamente contínua - enfim: Fazer. Tudo que está no meio se resume em viver, não? É, viver é o que está entreposto depois de começar e antes que acabe. Mas e aí, eu faço porque vivo, ou vivo porque faço? Como tudo, sem respostas. Acabo frustrada num ciclo vicioso, e todos sabem que eles são infinitos, mas eu sei que tenho prazo de validade. Tola, caí nessas idas e vindas sem fim por desatenção, esqueci-me que já havia constatado a “impossibilidade de conceituar a vida”- minhas próprias palavras ditas anteriormente. Mas não foi à toa, obviamente está impossibilidade se deve ao fato que as variáveis cabíveis são infinitas. Embora a vida venha com a hora pra acabar o que farei até lá pode ser qualquer coisa. Estas quaisquer coisas vão desenhar meu trajeto, elas que se embolam deixando o meio incompreensível - este trajeto demarcado não se apaga. Ora pois, tenho uma parte que prossegue mesmo após o fim. Mas do que é feita esta porção minha? Bom, se são resquícios das conseqüências da escolha do valor das variáveis, elas não são concretas. E para durarem após meu fim não podem estar juntas de mim: palavras? Mas palavras não são na realidade uma mera movimentação de ar para expurgar idéias da minha cabeça? Afinal não é qualquer palavra que continua solta pelo universo, são só aquelas carregadas de expressão - e palavras expressivas são idéias fecundadas no cérebro.
Conclusão momentânea: um conjunto de erros, que podem ter sido acertos; perguntas sem respostas alcançáveis que me lavam a milhares de contradições; começo e fim - com infinitas variáveis entrepostas; uma extensão presente após o fim - idéias navegantes.
[aguarda continuações]
Would u take the pill?
E eu, que sempre gostei do estranho, da aberração, de tudo que não faz sentido, estava desejando agora um pouco de normalidade. Sempre reneguei todo e qualquer tipo de calmaria, e agora queria saber o gosto que tem a certeza. Me contradizendo. Mas não que gostasse da tormenta por rebeldia infantil, diria que como instinto de sobrevivência. Porém, ali, desejei a comodidade do imutável. Toda a freneticidade que queima como combustível chegou a saturação máxima, e como tudo que chega ao extremo reverteu-se categoricamente à antítese: parei. Ignorância dos satisfeitos, como será viver incrustado na padronização? Talvez seja bom, confortável. Certo que incompleto, mas não do ponto de vista deles. Mas como já disse antes, o gosto pelo desajustado não foi minha escolha, é instinto de sobrevivencia, deixe-me explicar. Há aqueles que nunca tomam a pílula, nem tomam conhecimento dela na realidade, vivem felizes, creio eu. Há aqueles que tomam a pílula por querer - ah que tolos, perdem a oportunidade de uma vida plena(no âmbito que lhes pertencia). Mas existem aqueles a quem não é dada escolha, nascem fora e ponto final, aí toda a loucura é necessária para viver, ou sobreviver. Estes dois últimos (um por escolha, o outro por falta de opção) estão fadados a jamais serem satisfeitos, jamais terem vida plena, a busca pelo novo é uma constante, assim como o desapontamento por um saber tão ínfimo, afinal o universo em que estes vivem é infinitamente maior do dos que nunca tomam a pílula, estes ignoram a maior parte dele. Em contraponto, quem expande sua visão vive mais intensamente, em tudo. Daí que vem o gosto pelos extremos, por tudo que não pode ser explicado - anormal. Mas não que não gostem de viver dessa maneira, toda essa incerteza e inconstância é o que os move. Se querem o outro lado? Óbvio que sim, querem toda a sensação nunca experimentada, mas jamais querem o pra sempre, por isso não o tem. Já lhe disse, por escolha ou destino, aprendem a apaixonar-se pelo não certo.
Mas mesmo diante de tudo isso, ali, eu queria a pacificidade monótona do normal, nem que fosse por alguns instantes(na realidade queria só por alguns instantes - ou por algumas pessoas). Mas vocês sabem como agem os apaixonados, mesmo angustiados jamais renegam aquilo que veneram mais. E por saber que para ter meus segundos de normalidade teria de renunciar a minha paixão pela incerteza (repito: adquirida por instinto de sobrevivência) me contento em viver com mais esta dúvida e desapontamento: não conhecer o gosto do certo.
Pentotal sódico EV lento
Eu gosto de observar as pessoas dançando. Como elas pensam que calculam cada proximo movimento, e como elas caem, principalmente. É gratificante perceber que ninguém me conhece realmente, por mais que possa parecer desonesto, mascaras me concedem certa segurança. Gosto de ver como as pessoas se auto-afirmam, gritam, rugem - se perdem em meio a elas proprias. Dá um certo prazer, uma sensação de vitória, ver alguém me decodificando errado, ver alguém pisando na armadilha. É uma sensação de dever cumprido - e o melhor: é só minha, é um prazer todo e completamente meu. Todos mentem, afinal. Uns mentem pra si próprios: os honestos. Outros mentem pra si e pra todos: os burros. Já outros mentem para o resto, guardam suas verdades a si proprios somente, só eles tem seu dossiê completo. Mas no final, todos mentem. Gosto também de observar a argilosidade das pessoas, na verdade gosto de observar as pessoas - como elas se ancaixam em espécies, mas devo confessar que os desvirtuosos são mais interessantes. Gosto de pisar em armadilhas, mas gosto ainda mais de desarma-las e gosto ainda mais de saber que posso fazer isso tudo só. Como aprecio a solidão. Mas aprecio também a convivencia, mas uma convivencia de maneira isolada(como um cientista dentro de um aquario), é ela que me permite aprender sobre como as pessoas agem. Quanto a convivencia tradicional - maldita seja - pessoas só atrapalham, só me atrasam, não me permitem progredir - elas insistem a prender-se (não fazem falta). Desculpem, fazem muita falta: são objetos de estudo. Mas certos costrangimentos e irritaçoes poderiam ser evitados - odeio como o eco de suas vozes atormenta meus pensamentos. O silencio me inspira, já as vozes e zumbidos de pessoas tão comuns parecem paralizar a atividade cerebral quando não são quistas. Viver exige concentração, e estão a todo tempo tentanto distrair-me. Aprecio sim companhia, de algumas pessoas - daquelas que observam também, elas que estão a todo tempo procurando armadilhas, e não ligam de serem pegas por elas. Me atraem, são intrigantes, soltas. Introspectivas, não me impedem de progredir - e principalmente não me atormentam com coisas inúteis. Mentem bem, e gostam de pistas falsas. É como um jogo de charadas - excitantes.
[aguarda continuações]
Would u take the pill?
E eu, que sempre gostei do estranho, da aberração, de tudo que não faz sentido, estava desejando agora um pouco de normalidade. Sempre reneguei todo e qualquer tipo de calmaria, e agora queria saber o gosto que tem a certeza. Me contradizendo. Mas não que gostasse da tormenta por rebeldia infantil, diria que como instinto de sobrevivência. Porém, ali, desejei a comodidade do imutável. Toda a freneticidade que queima como combustível chegou a saturação máxima, e como tudo que chega ao extremo reverteu-se categoricamente à antítese: parei. Ignorância dos satisfeitos, como será viver incrustado na padronização? Talvez seja bom, confortável. Certo que incompleto, mas não do ponto de vista deles. Mas como já disse antes, o gosto pelo desajustado não foi minha escolha, é instinto de sobrevivencia, deixe-me explicar. Há aqueles que nunca tomam a pílula, nem tomam conhecimento dela na realidade, vivem felizes, creio eu. Há aqueles que tomam a pílula por querer - ah que tolos, perdem a oportunidade de uma vida plena(no âmbito que lhes pertencia). Mas existem aqueles a quem não é dada escolha, nascem fora e ponto final, aí toda a loucura é necessária para viver, ou sobreviver. Estes dois últimos (um por escolha, o outro por falta de opção) estão fadados a jamais serem satisfeitos, jamais terem vida plena, a busca pelo novo é uma constante, assim como o desapontamento por um saber tão ínfimo, afinal o universo em que estes vivem é infinitamente maior do dos que nunca tomam a pílula, estes ignoram a maior parte dele. Em contraponto, quem expande sua visão vive mais intensamente, em tudo. Daí que vem o gosto pelos extremos, por tudo que não pode ser explicado - anormal. Mas não que não gostem de viver dessa maneira, toda essa incerteza e inconstância é o que os move. Se querem o outro lado? Óbvio que sim, querem toda a sensação nunca experimentada, mas jamais querem o pra sempre, por isso não o tem. Já lhe disse, por escolha ou destino, aprendem a apaixonar-se pelo não certo.
Mas mesmo diante de tudo isso, ali, eu queria a pacificidade monótona do normal, nem que fosse por alguns instantes(na realidade queria só por alguns instantes - ou por algumas pessoas). Mas vocês sabem como agem os apaixonados, mesmo angustiados jamais renegam aquilo que veneram mais. E por saber que para ter meus segundos de normalidade teria de renunciar a minha paixão pela incerteza (repito: adquirida por instinto de sobrevivência) me contento em viver com mais esta dúvida e desapontamento: não conhecer o gosto do certo.
Pentotal sódico EV lento
Eu gosto de observar as pessoas dançando. Como elas pensam que calculam cada proximo movimento, e como elas caem, principalmente. É gratificante perceber que ninguém me conhece realmente, por mais que possa parecer desonesto, mascaras me concedem certa segurança. Gosto de ver como as pessoas se auto-afirmam, gritam, rugem - se perdem em meio a elas proprias. Dá um certo prazer, uma sensação de vitória, ver alguém me decodificando errado, ver alguém pisando na armadilha. É uma sensação de dever cumprido - e o melhor: é só minha, é um prazer todo e completamente meu. Todos mentem, afinal. Uns mentem pra si próprios: os honestos. Outros mentem pra si e pra todos: os burros. Já outros mentem para o resto, guardam suas verdades a si proprios somente, só eles tem seu dossiê completo. Mas no final, todos mentem. Gosto também de observar a argilosidade das pessoas, na verdade gosto de observar as pessoas - como elas se ancaixam em espécies, mas devo confessar que os desvirtuosos são mais interessantes. Gosto de pisar em armadilhas, mas gosto ainda mais de desarma-las e gosto ainda mais de saber que posso fazer isso tudo só. Como aprecio a solidão. Mas aprecio também a convivencia, mas uma convivencia de maneira isolada(como um cientista dentro de um aquario), é ela que me permite aprender sobre como as pessoas agem. Quanto a convivencia tradicional - maldita seja - pessoas só atrapalham, só me atrasam, não me permitem progredir - elas insistem a prender-se (não fazem falta). Desculpem, fazem muita falta: são objetos de estudo. Mas certos costrangimentos e irritaçoes poderiam ser evitados - odeio como o eco de suas vozes atormenta meus pensamentos. O silencio me inspira, já as vozes e zumbidos de pessoas tão comuns parecem paralizar a atividade cerebral quando não são quistas. Viver exige concentração, e estão a todo tempo tentanto distrair-me. Aprecio sim companhia, de algumas pessoas - daquelas que observam também, elas que estão a todo tempo procurando armadilhas, e não ligam de serem pegas por elas. Me atraem, são intrigantes, soltas. Introspectivas, não me impedem de progredir - e principalmente não me atormentam com coisas inúteis. Mentem bem, e gostam de pistas falsas. É como um jogo de charadas - excitantes.