quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pequeno grande ser de areia

De tanto me deparar com os opostos convivendo, não tão harmoniosamente, em minha psique reneguei qualquer última intenção de entendê-los, mas não pude deixar de pontuá-los. Entre tantos existentes, considero o 'pai-de-todos' o paradoxo de sentir-me grandiosa e ínfima. Certas vezes me sinto tão dona de mim que decido todos os rumos e dobro, dou nó, no famigerado destino, mas se fecho os olhos me sinto tão incapaz de dominar-me que até mexer meus próprios músculos torna-se difícil demais, então entrego-me ao 'deus dará'. Quando ando pelas ruas, esbarrando nas pessoas, sinto-me tão grande que seria capaz de tropeçar em um arranha-céu como quem tropeça em uma pedra solta do petit-pave, quando sento nas velhas cadeiras de madeira em posse de um café preto queimando a ponta da lingua e em companhia de um velho amigo conversamos por horas, e é como se o mundo fosse obrigado a parar para nos ouvir, e assim permanecesse, atento, e ai dele se resolvesse voltar a girar antes que saíssemos de nossos tronos. Mas derrepente, quando sento ali sob as estrelas em frente ao mar e longe olho, toda a insignificancia digna de minha existência recai sobre mim, e assim me sinto tão pequena que me misturo as grãos de areia, e me perco. Ali também, diante de alguém que se tem tanto para falar, me sinto tão insignificante que até o som dos nossos passos parece causar mais efeito que a minha presença, e revelo-me tão, mas tão pequenina que fico atônita, reduzo-me a dizer que está tudo bem. Espero que esteja.

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