quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ausência

Hoje eu acordei, mas não acordei comigo. Fui só um corpo vagando pelo espaço, e todas as ideias lá, concentradas, adormecidas, pensativas em seu canto, preguiçosas. O corpo seguiu o itinerário sem alterá-lo, é sempre assim quando a alma não vem junto, corpos não são errantes, obedecem ao comum. Eu estava lá, ainda adormecida, considerando todas as hipóteses, criando expectativas. A mente estava ali, trabalhando, enquanto meu corpo se movia involuntariamente, e Eu sonhava.
Hoje não quis pensar em outra coisa, não quis olhar outra paisagem, sentir algo novo, todos os esforços estavam dirigidos a entender as coisas antigas, por isso nem pra acordar tive forças - como naqueles domingos gelados e úmidos em que o maior esforço é tomar um chocolate quente fervendo que queima a ponta da lingua. A porção física que me compõe sorriu, conversou, respondeu e parecia viva, mas fez tudo inconsientemente, os olhos eram mudos. Não foi capaz de perceber nada ao seu redor, sequer guardou alguma marca deste dia, ele simplesmente não existiu. Hoje a alma pediu para não ser perturbada, ela estava exausta, tem trabalhado muito devido as oscilações constantes, mas pediu pra avisar que está feliz, só estava preguiçosa mesmo. Ela que não resolva fazer mais dessas, ou então história alguma será escrita.
E pensar que existem pessoas com almas preguiçosas sempre dormentes, pobres coitadas, fadadas a serem incompletas.

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