domingo, 26 de setembro de 2010
respingos, sujeira, história
Olhei pra trás e vi, uma história? Quem diria que eu teria uma história? Não é nada demais, nada espetacular, porém é melhor que muitas que já li. Minha história é escrita por uma criança. Ela enfia suas mãos - de dedos gordos nojentos com unhas compridas e sujas que insiste em enfiar dentro do nariz para cutucar até quase alcançar seu cérebro - dentro de um bade cheio de tinta e suja paredes antes tão brancas, suja sem escrúpulos, sem pensar em nada, suja por onde ja havia pintado, mistura as cores. Mas a sua alegria é tirar das paredes o seu branco monumental, adora pintar onde as paredes eram intocadas. Ah criança, faz uma verdadeira lambança, joga tinta pra todos os lados, bagunça tudo, às vezes acerta até o trabalho daquelas crianças comportadas que pintam suas paredes de maneira correta com pincéis e tudo mais, coisa que ela não consegue fazer. Joga suas tintas com a inocencia que só uma criança pode ter; a inocência, não ha nada mais malicioso que isso, a mazela mais manipuladora da raça humana, bem típica de uma criança mal criada e sujona. E é assim que minha história se passa, uma criança suja fazendo arte, ninguém sabe aonde vai cair o proximo pingo de tinta.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
para sua corja
Sempre me disseram que eu deveria fazer meu melhor, mas agora vejo que algumas pessoas merecem meu pior. Certas pessoas me enojam, parecem deixar um rastro de asco, o simples respirar delas impregna o ar. E estas pessoas não merecem meu melhor, nem minha indiferença, merecem minha pior parte, a que está à altutra delas, minha parte mais suja, mais doente, tão asquerosa quanto elas. Merecem o vômito de idéias que me faz mal, o lixo na minha mente, o que há de mais sórdido. Despejo os dejetos nelas para não ser igual às proprias, e guardo o que há de melhor só pros melhores. Talvez devesse oferecer o melhor às piores, ou talvez melhor fosse ignorá-las, mas minha humanidade não permite - se bem que minha pior parte revela-se tão boa quanto a melhor. É, infelizmente não sou boa o suficiente para fingir que este tipo de pessoas não existe, então o que me resta é insultá-las oferecendo toda minha podridão, é como se assim eu me purificasse - são minha latrina, mas pessoas que já vivem no esgoto até gostam desta função. Pessoas deste tipo despertam em mim os piores sentimentos, as piores sensações, nada mais justo que jogá-los nelas devolta. E é assim, guardo meu melhor pros melhores.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
pentotal sódico EV lento
Eu gosto de observar as pessoas dançando. Como elas pensam que calculam cada proximo movimento, e como elas caem, principalmente. É gratificante perceber que ninguém me conhece realmente, por mais que possa parecer desonesto, mascaras me concedem certa segurança. Gosto de ver como as pessoas se auto-afirmam, gritam, rugem - se perdem em meio a elas proprias. Dá um certo prazer, uma sensação de vitória, ver alguém me decodificando errado, ver alguém pisando na armadilha. É uma sensação de dever cumprido - e o melhor: é só minha, é um prazer todo e completamente meu. Todos mentem, afinal. Uns mentem pra si próprios: os honestos. Outros mentem pra si e pra todos: os burros. Já outros mentem para o resto, guardam suas verdades a si proprios somente, só eles tem seu dossiê completo. Mas no final, todos mentem. Gosto também de observar a argilosidade das pessoas, na verdade gosto de observar as pessoas - como elas se ancaixam em espécies, mas devo confessar que os desvirtuosos são mais interessantes. Gosto de pisar em armadilhas, mas gosto ainda mais de desarma-las e gosto ainda mais de saber que posso fazer isso tudo só. Como aprecio a solidão. Mas aprecio também a convivencia, mas uma convivencia de maneira isolada(como um cientista dentro de um aquario), é ela que me permite aprender sobre como as pessoas agem. Quanto a convivencia tradicional - maldita seja - pessoas só atrapalham, só me atrasam, não me permitem progredir - elas insistem a prender-se (não fazem falta). Desculpem, fazem muita falta: são objetos de estudo. Mas certos costrangimentos e irritaçoes poderiam ser evitados - odeio como o eco de suas vozes atormenta meus pensamentos. O silencio me inspira, já as vozes e zumbidos de pessoas tão comuns parecem paralizar a atividade cerebral quando não são quistas. Viver exige concentração, e estão a todo tempo tentanto distrair-me. Aprecio sim companhia, de algumas pessoas - daquelas que observam também, elas que estão a todo tempo procurando armadilhas, e não ligam de serem pegas por elas. Me atraem, são intrigantes, soltas. Introspectivas, não me impedem de progredir - e principalmente não me atormentam com coisas inúteis. Mentem bem, e gostam de pistas falsas. É como um jogo de charadas - excitantes.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Sopro
Acalma-te que o vento sempre muda de direção. Aprecia a serenidade. Escuta atento o silencio. Aprenda a aconchegar-te no vazio. Sentes agora? Observa o que temias: nada além de sombras na parede do quarto. Sopra a vela, e agora só tens tu e a escuridão. Fecha os olhos, abra os olhos: nada muda. Acenda a vela novamente pra que eu possa ver teu rosto. Ah garoto, a vida é tão mais fácil quando não complicas coisas simples. Se tu visses a verdade por detrás de teus montros, creio eu que até sentirias certo apreço por eles. Recomponha-te logo e vai ver o sol, e não vás enconder-te dos espelhos, enxerga como tu és e aceita - com medos e defeitos e fraquezas e erros. Mas vai logo, já posso ver daqui os primeiros raios manchando de sépia a serenidade azul do céu e do mar. Lembra-te: satisfaça tua sede por ti, segura o leme da tua vida e acalma-te, logo mais o vento volta a soprar estufando tuas velas para que possas navegar.
sábado, 11 de setembro de 2010
Álea
Posso ouvir o som dos dados batendo sobre a madeira enquanto rolam, estão escolhendo como querem parar. Mais uma vez eles foram lançados, mais uma vez o destino está suspenso até que eles parem, e decidam-no. Enquanto isso a platéia assiste sem sequer pestanejar a este balé, anciando pelo desfecho da tragédia. E como gostam - estes dados - des serem admirados, nem sequer sabem o quanto podem decidir, e nem ligam para a aflição do público, sem pressa eles levam tempo até encerrar o espetáculo. Quanto menos se preocupam com a apreciação do fim desejado. Eles param ali, como querem, fecham as cortinas, e nós que nos conformemos. E ainda nos dizem com requintes de crueldade: "Ces't la vie, mon amour."
Tolos que somos, pedimos bis ao fim do espetáculo, assim os tais dados sobem ao palco novamente. Mais uma vez eles são lançados a fim de decidir nossas vidas. Eles rolam freneticamente batuqueando na madeira, e quando param: novo rumo, novo tudo. E é assim que é, lançaremos dados até que algum dia nossa jogada nos tire do jogo.
Tolos que somos, pedimos bis ao fim do espetáculo, assim os tais dados sobem ao palco novamente. Mais uma vez eles são lançados a fim de decidir nossas vidas. Eles rolam freneticamente batuqueando na madeira, e quando param: novo rumo, novo tudo. E é assim que é, lançaremos dados até que algum dia nossa jogada nos tire do jogo.
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