sábado, 11 de setembro de 2010

Álea

Posso ouvir o som dos dados batendo sobre a madeira enquanto rolam, estão escolhendo como querem parar. Mais uma vez eles foram lançados, mais uma vez o destino está suspenso até que eles parem, e decidam-no. Enquanto isso a platéia assiste sem sequer pestanejar a este balé, anciando pelo desfecho da tragédia. E como gostam - estes dados -  des serem admirados, nem sequer sabem o quanto podem decidir, e nem ligam para a aflição do público, sem pressa eles levam tempo até encerrar o espetáculo. Quanto menos se preocupam com a apreciação do fim desejado. Eles param ali, como querem, fecham as cortinas, e nós que nos conformemos. E ainda nos dizem com requintes de crueldade: "Ces't la vie, mon amour."
Tolos que somos, pedimos bis ao fim do espetáculo, assim os tais dados sobem ao palco novamente. Mais uma vez eles são lançados a fim de decidir nossas vidas. Eles rolam freneticamente batuqueando na madeira, e quando param: novo rumo, novo tudo. E é assim que é, lançaremos dados até que algum dia nossa jogada nos tire do jogo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário