- Eu quero que você feche a porta, só isso.
Assim como quem diz: tranque seu coração e sua alma pra sempre. E faz isso por medo ou mero capricho, ambos resultam na mesma dor: gotas melindrosas partindo da porta da alma - agora cerrada - e desenhando cuidadosamente as curvas do sofrimento até caírem, finalmente, no mar.
É bom que se prenda a alma certas vezes, fechar portas janelas e cortinas, talvez ela se encontre no escuro, ou talvez definhe só. Porém repetidos estrondos absurdamente altos perturbam este enclausuramento particular, malditos, não entendem que os pensamentos precisam ser aquietados, assim como os pequenos ele tem de adormecer para haver paz. Pede-se silencio absoluto, a alma está de castigo nada de interferências ou divertimentos. Mas toda vez aparece esse grotesco estrondo e os pensamentos despertam com maior vigor, verdadeira algazarra, milhões de vozes estridentes põe-se a exigir razão, tudo isso somado só pode acabar por explodir: portas, janelas, cortinas, paredes e pedaços de alma voam pelos ares.
Parece impossível estar só.
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