E eu, que sempre gostei do estranho, da aberração, de tudo que não faz sentido, estava desejando agora um pouco de normalidade. Sempre reneguei todo e qualquer tipo de calmaria, e agora queria saber o gosto que tem a certeza. Me contradizendo. Mas não que gostasse da tormenta por rebeldia infantil, diria que como instinto de sobrevivência. Porém, ali, desejei a comodidade do imutável. Toda a freneticidade que queima como combustível chegou a saturação máxima, e como tudo que chega ao extremo reverteu-se categoricamente à antítese: parei. Ignorância dos satisfeitos, como será viver incrustado na padronização? Talvez seja bom, confortável. Certo que incompleto, mas não do ponto de vista deles. Mas como já disse antes, o gosto pelo desajustado não foi minha escolha, é instinto de sobrevivencia, deixe-me explicar. Há aqueles que nunca tomam a pílula, nem tomam conhecimento dela na realidade, vivem felizes, creio eu. Há aqueles que tomam a pílula por querer - ah que tolos, perdem a oportunidade de uma vida plena(no âmbito que lhes pertencia). Mas existem aqueles a quem não é dada escolha, nascem fora e ponto final, aí toda a loucura é necessária para viver, ou sobreviver. Estes dois últimos (um por escolha, o outro por falta de opção) estão fadados a jamais serem satisfeitos, jamais terem vida plena, a busca pelo novo é uma constante, assim como o desapontamento por um saber tão ínfimo, afinal o universo em que estes vivem é infinitamente maior do dos que nunca tomam a pílula, estes ignoram a maior parte dele. Em contraponto, quem expande sua visão vive mais intensamente, em tudo. Daí que vem o gosto pelos extremos, por tudo que não pode ser explicado - anormal. Mas não que não gostem de viver dessa maneira, toda essa incerteza e inconstância é o que os move. Se querem o outro lado? Óbvio que sim, querem toda a sensação nunca experimentada, mas jamais querem o pra sempre, por isso não o tem. Já lhe disse, por escolha ou destino, aprendem a apaixonar-se pelo não certo.
Mas mesmo diante de tudo isso, ali, eu queria a pacificidade monótona do normal, nem que fosse por alguns instantes(na realidade queria só por alguns instantes - ou por algumas pessoas). Mas vocês sabem como agem os apaixonados, mesmo angustiados jamais renegam aquilo que veneram mais. E por saber que para ter meus segundos de normalidade teria de renunciar a minha paixão pela incerteza (repito: adquirida por instinto de sobrevivência) me contento em viver com mais esta dúvida e desapontamento: não conhecer o gosto do certo.
sábado, 28 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Frisson
Sozinha. Uma criança sozinha. Uma criança sozinha em um lugar desconhecido. Tudo parece tão novo, a cada passo uma nova descoberta. Cada vez que toca algo descobre uma nova sensação, e como é bom tocar em tudo e descobrir milhões de sensações novas! Cada coisa que ela puxa revela algo, é como um vício: descobrir. Mas todo vício tem seus riscos, a sim, muitos riscos, mas quem liga para eles no frisson daquele momento. Mas a pequena descobriu que nem todas as sensações são tão maravilhosas assim, alguns lugares que a gente toca trazem coisas as quais preferiríamos não sentir. Mas o vício é mais poderoso, e não nos abalamos, a sede pelo nova inunda-nos de arrepios e afins. A menina descobrira, pois, o que pulsa em seu interior.
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