sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Espetáculo em curta temporada

porém fotos, embora belas, são meros esboços do real sentimento que há por detrás delas. maneiras que temos de voltar por breves instantes no tempo.

O tempo por certas vezes parece andar em círculos, dado que em determinados momentos acreditamos que as coisas voltam a ser como eram antes, parece que alguém pegou uma imagem antiga e recolocou tudo no no mesmo lugar, e assim sucessivamente, fazendo com que toda parte de nossa vida pareça uma cena de uma peça que já assistimos anos, as vezes muitos anos, atrás. Mas é impossível que o tempo ande em círculos, pois nesta mesma cena repetida, com um quê a mais de atenção notamos que alguns detalhes mudam assombrsamente - talvez um ator, talvez um figurino, um cenário, uma vírgula em uma fala que faz toda a diferença - qualquer detalhe que seja mostra que este desconhecido que decidiu rearrumar as coisas como eram pecou, talvez propositalmente. Enfim, tudo igual denovo é só uma ilusão, e nós, inocentes que somos, caímos nessa armadilha, acreditamos que poderemos fazer diferente 'desta vez' - oras, 'desta vez', é uma outra vez, completamente diferente daquela que queríamos reviver, então o que quer que se faça será diferente por mais que sigamos as linhas impecavelmente iguais. Neste passo que seguimos não existe marcha ré.

chuá.

Antes que caísse a última gota voce fechou aquela torneira que pingava, agora estamos assim, no limiar, naquele momento de maior tensão, e o caminho é um só: uma hora tudo vai se esparramar, a água vai despencar, a enxurrada vai limpar. Mas enquanto isso não acontece vivemos naqueles instantes que antecedem a tragédia, que a anunciam, mas não saõ suficientes para evitá-la. A única coisa que se pode fazer é adiá-la, e enquanto isso, prepararmo-nos para quando acontecer. Esperando que isso ocorra o mais tarde possível mal respiramos, a menor perturbação pode acerretar em destruição.
Foi assim: eu dei o primeiro passo e afundou, aí eu continuei, meio que por instinto suicida. Aquela vontade de saber no que daria, mas a torneira já estava lá, enchendo, avisando que um dia iria explodir - e de que adiantava? Como se ligássemos. Mas se tivéssemos virado o balde antes, claro que a catástrofe seria inúmeras vezes menor, mas menores seriam também os momentos, os devaneios, as confissões - menores seriam as vidas. E vejam, mesmo que não acredite, há chance de quando deixarmos cair a última gota, a água jorre, lave, e ainda assim, no fundo do balde, permaneca uma fina lâmina d'agua, limpa. E quer saber o que faremos? Abriremos a torneira novamente, dessa vez com maior potência, pare que a água jamais pare dentro do balde, ou então, jogamos o balde fora, e deixe que a água corra por todos os lados, ou então... ora quem pode saber?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pequeno grande ser de areia

De tanto me deparar com os opostos convivendo, não tão harmoniosamente, em minha psique reneguei qualquer última intenção de entendê-los, mas não pude deixar de pontuá-los. Entre tantos existentes, considero o 'pai-de-todos' o paradoxo de sentir-me grandiosa e ínfima. Certas vezes me sinto tão dona de mim que decido todos os rumos e dobro, dou nó, no famigerado destino, mas se fecho os olhos me sinto tão incapaz de dominar-me que até mexer meus próprios músculos torna-se difícil demais, então entrego-me ao 'deus dará'. Quando ando pelas ruas, esbarrando nas pessoas, sinto-me tão grande que seria capaz de tropeçar em um arranha-céu como quem tropeça em uma pedra solta do petit-pave, quando sento nas velhas cadeiras de madeira em posse de um café preto queimando a ponta da lingua e em companhia de um velho amigo conversamos por horas, e é como se o mundo fosse obrigado a parar para nos ouvir, e assim permanecesse, atento, e ai dele se resolvesse voltar a girar antes que saíssemos de nossos tronos. Mas derrepente, quando sento ali sob as estrelas em frente ao mar e longe olho, toda a insignificancia digna de minha existência recai sobre mim, e assim me sinto tão pequena que me misturo as grãos de areia, e me perco. Ali também, diante de alguém que se tem tanto para falar, me sinto tão insignificante que até o som dos nossos passos parece causar mais efeito que a minha presença, e revelo-me tão, mas tão pequenina que fico atônita, reduzo-me a dizer que está tudo bem. Espero que esteja.

sábado, 6 de novembro de 2010

Ela mordeu a maçã

De onde vem esse dom de escolher errado? Não falha, nunca. Desde questões de multipla escolha até pessoas, passando por caminhos, momentos, palavras. É, talvez alguém tenha me dito: "vá ser gauche na vida". O mais incrível é que algumas vezes, muitas delas, eu sei que estou escolhendo o errado, mas tamanha é a sede, a necessidade extrema de excolhê-lo, que supera a racionalidade. Alguns chamam de inconsequencia, algumas vezes a é, porém quase sempre tenho consciência dos estragos que o passo me causará, apenas não me controlo e corro pro abismo. Até porque as coisas que faço sem pensar, as que não são escolhas, raramente são as piores, as tortices vem das decisões pensadas, cauculadas. Não entendo, tenho gosto pelo que não presta, pelo que pode dar errado, e não me sinto mal por isso. Causo mau aos outros, causo mau a mim fazendo escolhas pecaminosas, mas juro que não é por desejo, foi o dom concedido a mim - ou carma, como queiram chamar. Sinto uma incrível atração pelo lado torto - acho lindo, a perfeição parece tão perfeita - o pleonasmo é o único modo de demontrar quão feia é a indefectibilidade. Depois que provamos o errado todo o certo torna-se apagado, não é rebeldia, é instinto. É instinto porque mesmo querendo mais que tudo escolher o que é certo ele desperta e me guia ao oposto, dentre todas as palavras que cogito digo as que não podia, de todos os momentos acerto o mais inoportuno, entre milhares de caminhos trilho os que não me levam a nada - nada bom pelo menos - e, principalmente, quanto as pessoas, gosto das piores: a melhor parte de possuir o dom de escolher errado, sinceramente. Pois veja, a esta altura não sei se me acostumaria à escolhas virtuosas, melhor, pois, seguir assim, aos tropeços, pelos becos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

de si, para si

Sim, sentia saudades, mas sentia mais saudades ainda daquela que deixou de ser, há tempos não se reconhecia mais. Olhando as estrelas pela janela zangou-se por descobrir que não queria aquilo, ela deveria querer, deveria estar feliz, mas algo ali dentro impedia - era uma angústia, um medo de seguir depois de ter rompido com seu ego. A medida que via tudo aquilo que julagava ser tudo se afastando ela começava a ver-se inteira novamante, aquela garota, a que não via há anos estava voltando, meio timida ainda, e ela a abraçava forte, como fazemos em reencontros tão desejados com entes queridos que não vemos há muito. Agora ela já sentia uma certa felicidade de ver tudo quebrando-se, desistira até de fazer-se perguntas. Ora, claro que sentia falta ainda, mas ao reencontrar-se com si mesma, e ao perceber que para te-la deveria largar mão daquilo, percebera que a falta que sentia dela sempre foi muito maior que a falta que sentirá de tudo, e insuperável, ao contrário desta. Não é que não doa, mas não há escolha, melhor seria se pudessem segiur todos juntos, mas para ter um, precisa renegar o outro, e ela fez sua escolha. Afinal, sentir saudades de si mesmo dói mais que senti-lá por qualquer outro alguém.