Antes que caísse a última gota voce fechou aquela torneira que pingava, agora estamos assim, no limiar, naquele momento de maior tensão, e o caminho é um só: uma hora tudo vai se esparramar, a água vai despencar, a enxurrada vai limpar. Mas enquanto isso não acontece vivemos naqueles instantes que antecedem a tragédia, que a anunciam, mas não saõ suficientes para evitá-la. A única coisa que se pode fazer é adiá-la, e enquanto isso, prepararmo-nos para quando acontecer. Esperando que isso ocorra o mais tarde possível mal respiramos, a menor perturbação pode acerretar em destruição.
Foi assim: eu dei o primeiro passo e afundou, aí eu continuei, meio que por instinto suicida. Aquela vontade de saber no que daria, mas a torneira já estava lá, enchendo, avisando que um dia iria explodir - e de que adiantava? Como se ligássemos. Mas se tivéssemos virado o balde antes, claro que a catástrofe seria inúmeras vezes menor, mas menores seriam também os momentos, os devaneios, as confissões - menores seriam as vidas. E vejam, mesmo que não acredite, há chance de quando deixarmos cair a última gota, a água jorre, lave, e ainda assim, no fundo do balde, permaneca uma fina lâmina d'agua, limpa. E quer saber o que faremos? Abriremos a torneira novamente, dessa vez com maior potência, pare que a água jamais pare dentro do balde, ou então, jogamos o balde fora, e deixe que a água corra por todos os lados, ou então... ora quem pode saber?
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