sexta-feira, 22 de abril de 2011

O último Fim

E quando nos pegamos pensando no que já foi - ou nem chegou a ser.
Será que faz mal ou bem, retomar, reavaliar, re-entender, e continuar não achando sentido. Era certo que aquele era o fim, mas não foi dito, nem justificado, foi apenas vivido. Não que não tenham havido outros, mas aquele, pelo menos até agora, foi o único que pareceu definitivo, o único que não relutou a aceitar o fado de pôr um ponto final, e mesmo assim foi o mais belo. Deu todos os indícios de não estar disposto a voltar atrás, mas do alto de sua pose deu uma brexa, um erro infantil pra quem queria parecer sóbrio: o fim despediu-se do começo, e quem despede-se aguarda um reencontro. Parece que este fim tão austéro não queria ser o último, e talvez espere que outro mais medíocre algum dia assuma seu lugar. Mas se era isso que ele queria, ser só uma vírgula, pra que tanta pompa?
Pode ser que não seja nada, pode ser que seja realmente o último fim. Mas quem sabe algum dia o fim altivo reencontre enfim o começo.
Sabe-se lá quantos fins podemos ter.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Fluidez

Não, não tenho medo da morte. Não, não tenho medo da vida. Eu tenho medo é de não viver ao tentar não morrer, e não morrer por me faltar do que. É esse limbo, morto-vivo, que me agonia. Se querem saber eu busco a morte diariamente, pois é buscando-a que se vive de fato. Achas autodestruição? Então o que buscas se não a morte? Com quantos nomes quiseres dar, buscar ou fugir, no fim dá no mesmo. No fim querer morrer ou viver tem a mesma beleza e o mesmo resultado. A vida em seu ápice alcança a saturação máxima e reverte-se a sua antítese, assim, morte: o milagre da vida.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Será que flamingos voam?

Os olhos vermelhos a boca roxa a lingua azul a poeira branca. Dois tudos e tres nadas, podia definir-se assim, um pouco de melancolia talvez. Se perdeu no vento aquela noite, mas a lua era linda. Era melhor ocupar a cabeça com muitas coisas, tempo ocioso lhe fazia pensar demais, e doía lá dentro fazer isso. Velhos amigos lhe pediam conselhos sobre coisas que ela entendia bulhufas, mas eles a julgavam detentora de tais conhecimento - só porque um dia pareceu chorar. Uma vazio, um vazio, um vazio, redemoinhos e pronto. Não tinha medo, planejou subornar a morte - com o que? ah, o que mais a morte poder querer alem da vida? Ou talvez devesse só esperar o carnaval, os hermanos disseram que todoas eles tem seu fim. Sabe qual é o fim do carnaval? uma melancólica quarta feira de cinzas, sem fantasias, sem musica, sem você, é meu carnaval se foi (sem problemas, ano que vem tem mais um). E nesse momentos as pessoas tentam entender suas palavras, e não conseguem, mas pensam que sim. Esse é o bom das palavras, cada um as entende como quer e as leva na vida como desejar, e faz delas verdade caso queira e dá de cara no muro quando se dá conta. Se ela voasse, poderia agora, não sei, se mandar pro céu e conversar com as estrelas, e quando cansasse deitaria no sorriso dourado para sonhar. Se quisesse voar mais longe podia escorregar nos anéis de saturno. É, mas não pode, não aqui pelo menos. Mas não porque não consiga, é que as pessoas iam achar estranho vê-la decolando e acenando da lua, mas se tivesse certeza de que não há ningém olhando ela partiria. Mas toda vez que pensa em decolar vôo alguém a chama de volta, na hora certa ele vai conseguir, e então, se prestar bem atenção, verá que é seu sorriso que ofusca as estrelas.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

por entre as grades

Liberdade, a maior ilusão humana, a melhor parte da vida. Todos acham que voam, mas são como pássaros, acabam sendo presos com a maior facilidade e condenados a viver em gaiolas ridiculamente frágeis e apertadas. Eu quero ser o vento, que vive solto e conduz os passáros, e que ao passar pelas gaiolas tem pena daqueles seres que se acham tão autosuficientes e livres. Mas afinal o que é a liberdade? A liberdade além dos livros, além das palavras, o que ela é na vida? De começo, é uma árdua luta contra nossa consciência - a primeira corrente que nos afasta da liberdade. Depois é um desprendimento dos conceitos de liberdade que nos foram vendidos, e que em sua maioria fazem alguma referência a idéias consumistas, então é preciso sair da gaiola da sociedade - não é uma renegação total dos padrões, é simplesmente tornar-se inerte as pressões exercidas por ela. E só assim será possível livrar a mente do corpo, para aí exercer a sua plena liberdade. O problema é que cada vez que tentamos viver livremente nos descobrimos mais presos a algo, sempre iludidos ao achar que voamos pra onde quisermos. Talvez liberdade não exista, ou talvez nós não saibamos o que ela realmente é. Mas todos que dizem que são livres ou são prepotentes demais para achar que nada os prende, ou são ignorantes e acreditam na mentira que lhes contaram.
O importante é que não deixemos de tentar voar, mesmo que pareça impossível.