sexta-feira, 5 de novembro de 2010
de si, para si
Sim, sentia saudades, mas sentia mais saudades ainda daquela que deixou de ser, há tempos não se reconhecia mais. Olhando as estrelas pela janela zangou-se por descobrir que não queria aquilo, ela deveria querer, deveria estar feliz, mas algo ali dentro impedia - era uma angústia, um medo de seguir depois de ter rompido com seu ego. A medida que via tudo aquilo que julagava ser tudo se afastando ela começava a ver-se inteira novamante, aquela garota, a que não via há anos estava voltando, meio timida ainda, e ela a abraçava forte, como fazemos em reencontros tão desejados com entes queridos que não vemos há muito. Agora ela já sentia uma certa felicidade de ver tudo quebrando-se, desistira até de fazer-se perguntas. Ora, claro que sentia falta ainda, mas ao reencontrar-se com si mesma, e ao perceber que para te-la deveria largar mão daquilo, percebera que a falta que sentia dela sempre foi muito maior que a falta que sentirá de tudo, e insuperável, ao contrário desta. Não é que não doa, mas não há escolha, melhor seria se pudessem segiur todos juntos, mas para ter um, precisa renegar o outro, e ela fez sua escolha. Afinal, sentir saudades de si mesmo dói mais que senti-lá por qualquer outro alguém.
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